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Economia

04/07/2019


Em novo artigo, professor Wilson Menezes analisa ideias do marxismo e suas consequências no mundo contemporâneo; veja

Na imagem, o professor Wilson Menezes da UFBA

O professor de economia da Universidade Federal da Bahia (UFBa), Wilson Ferreira Menezes, em novo artigo publicado nesta quinta-feira (4), analisa analisa as ideias do marxismo e suas consequências no mundo contemporâneo.

 

O artigo semanal é resultado de uma parceria entre o Departamento de Economia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e o Portal WSCOM.

 

GOOD-BYE, MARX! ADIEU PT! O INFERNO EXISTE, MAS NÃO SERÁ MAIS AQUI

Por Wilson F. Menezes

Não há relação possível ou imaginária entre as conclusões dos textos econômicos de Marx e a evolução dos acontecimentos no mundo. Isso é verdadeiro, mesmo quando se considera O Capital, sua obra maior produzida na fase considerada de maturidade intelectual do autor. Assim, tanto no que diz respeito aos países economicamente mais avançados, quanto em outros que tentaram seguir sua utopia, as experiências socializantes foram puramente ideológicas, seguidas das maiores atrocidades que a humanidade já experimentou. Baseadas na arrogância, no voluntarismo, na corrupção e na mentira tais experiências sempre culminaram em regimes autoritários e totalitários. Foi assim na Rússia (depois União Soviética), na China, em Cuba, no Laos e onde nesse mundo de meu Deus as populações caíram na tentação de buscar um Éden na terra. Não esqueça de “minha” Venezuela!

 

Sem que a realidade econômica e social desses regimes encontre algum abrigo nos escritos econômicos e políticos do marxismo, as consequências sociais sempre aparecem de maneira devastadora. No plano econômico o marxismo está morto. Mas, receios e cuidados devem continuar a existir, isso porque no plano ideológico, infelizmente, ele ainda consegue influenciar concepções políticas que, no limite, levam a regimes absolutistas, cheio de déspotas não esclarecidos e pseudodemocráticos. Aqui é bom lembrar que, as experiências vermelhas tiveram “êxito” e se implantaram politicamente, sem exceção, em países economicamente mais atrasados, logo não enfrentavam, pelo menos ainda, as vicissitudes apresentadas em economia mais amadurecidas.

 

Se as ideias seguem necessariamente a base material, fica patente que essas experiências não poderiam acontecer sob os ensinamentos marxistas, logo eram marxistas apenas em um plano ideológico. Entretanto, não se pode esquecer que foram experiências socialmente devastadoras para os países que as adotaram, seja por abolir toda e qualquer liberdade individual das pessoas, seja por terem subjugado e espoliado povos inteiros. Isso se deu de maneira objetiva em termos materiais e subjetiva no controle de suas crenças e percepções do mundo. Esses países, em verdade, jamais se alcançaram patamares econômicos já experimentados pelos economicamente mais adiantados.

 

Trata-se, portanto, de uma ideologia a ser descartada pela falsidade argumentativa. Por outro lado, o itinerário evolutivo seguido pelos países de economia mais desenvolvida em nada teve a ver com o anunciado nos ensinamentos do marxismo. Mesmo assim, assinalam que o verdadeiro marxismo ainda não foi implementado. O marxismo não apresentou bons resultados econômicos exatamente por ser demasiadamente sólido, a ponto de dissolver-se no ar, ficando apenas sua face ideológica. Escafedeu-se enquanto ciência muito rapidamente, como o gênio que sai da garrafa, sem que haja sequer tempo para os três desejos.

 

Foram duas as maiores pretensões de Marx: apresentar um conhecimento científico do desenvolvimento presente e futuro da economia capitalista e considerar a prática como critério para a teoria. Essas pretensões, no entanto, reprovam seu próprio arcabouço doutrinário. Isso porque o mundo econômico simplesmente não evoluiu tal como esperado em sua doutrina, de maneira que se abre uma extraordinária separação entre a realidade e o almejado ideologicamente. Assim é que, a teoria do valor nunca explicou o sistema de trocas, em verdade esse sistema funciona através dos preços e a passagem do valor ao preço, jamais realizada, matou essa pretensão. Ademais, a centralização do capital não aconteceu dentro dos princípios esperados, os grandes oligopólios travam hoje competições que vão muito além dos preços, em verdade desenvolvem como jamais a Pesquisa e o Desenvolvimento, permitindo o lançamento de novos produtos, além de modificarem inúmeros outros já existentes. Por fim, para sermos breves, a lei tendencial de queda da taxa de lucro pode ser considerada um verdadeiro fiasco, sobretudo com o advento das novas tecnologias intensivas em capital, mas também altamente empregadoras do fator trabalho. Hoje, tal como ontem, os grandes oligopólios vão muito bem, obrigado!

 

No plano político, como já dissemos, a aplicação das teses marxistas só aconteceu em países atrasados e a um elevadíssimo custo social em sofrimento e dor. Métodos violentos e despóticos sempre foram fanaticamente praticados, resultando, sempre, em experiências totalitárias. Hoje, sem sombra de dúvida, pode-se afirmar que essas experiências constituem a principal arma contra elas mesmas. Afinal, foram milhões de mortos no regime soviético, os quais ainda hoje são explicados pela esquerda como sendo o resultado de erros no método aplicado. Nada mais errado. Essas mortes não resultaram de um acidente de percurso, mas estão na raiz mesma dos regimes totalitários. Matar é da natureza do escorpião. O socialismo e o comunismo são sistemas criminosos. Apenas a título de exemplo, sabe-se que após os anos 1930 não mais existia qualquer tipo de resistência na União Soviética, mesmo assim populações inteiras foram esmagadas ou enviadas a campos de trabalho forçado na Sibéria. Após o período dos grandes julgamentos com a promulgação de uma nova Constituição (1936), o número de assassinatos e expurgos não parou de aumentar, afastando por completo qualquer imaginação de que o povo passaria a ter uma situação mais normal de vida. O sistema era um não sistema, pois as regras e leis eram prontamente desobedecidas quando tudo era decidido no interesse imediato do alto comando político, basta lembrar que até os autores da nova Carta foram condenados à morte como traidores, mesmo que ela tenha continuado em vigência.

 

O terror foi também implantado em toda sua dimensão na Ucrânia entre os anos 1931 e 1933 cuja população foi praticamente dizimada no Holodomor, que simplesmente significava deixar morrer por inanição provocada pela fome. Situações horripilantes continuaram a acontecer com a invasão da Hungria (1956) e da então Tchecoslováquia (1968), para lembrar apenas os exemplos mais conhecidos no ocidente. A máquina mortífera funcionou até 1991, quando da dissolução da União. Desde então o partido comunista russo encontra-se dividido em dois grandes grupos: os imbecis e os escroques. Os primeiros, saudosos das migalhas, continuam a defender a bandeira vermelha e os segundos, mais realistas, se autoproclamaram homens de negócio. Mais de um século nos separa da revolução russa, sem que jamais os comunistas tenham sido julgados e condenados, sequer pela opinião pública internacional.

 

Essa utopia sempre chegou a desfechos aterrorizantes. Que não renasça como um Fênix em nossa Terra Brasillis. Por princípio, existe uma impossibilidade lógica de se alcançar algo que possa ser chamado de ‘comunismo democrático’, uma contradição em termos. Dessa forma, as duas brasileiras, que visitaram a Rússia em busca de apoio estratégico e tático, são sim analfabetas funcionais e sem noção, mas são, antes de tudo, cínicas e codelinquentes de todo o horror que o mundo civilizado ainda não digeriu completamente. Comunistas não comem criancinhas na ceia de Natal, mas costumam ser corruptos e bêbados, por isso mesmo inconsequentes, logo costumam matar sem critérios políticos, sociais ou econômicos lógicos, apenas em função do poder. A despeito de nossa história recente, pode-se concluir “sem medo de ser feliz” que Deus foi benevolente conosco, por isso mesmo devemos ratificar Sua cidadania brasileira.