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06/10/2018


Quando a música Made In PB , de Totonho e Escurinho, se enriquece com padrão erudito do Quinteto

Agora próximo, no final do ano, a Música Brasileira de Qualidade (MBQ) comemora 2 anos de excelência diante do Quinteto Paraíba – um dos melhores grupos de câmera do país baseado em João Pessoa  – dialogando com grandes artistas nacionais.

Nesta sexta-feira, 5, de “Ele Não”, o Quinteto apresentou no Teatro José Siqueira – em homenagem ao paraibano criador da Orquestra Sinfônica do Brasil, no Espaço Cultural lotado, a síntese qualitativa de dois artistas de DNA Paraíba. Escurinho e Totonho, ou vice-versa, se exibiram em momentos sequenciados expondo músicas autorais de elevado nível em nível nacional.

QUEM SÃO E O QUE FAZEM

Escurinho é da geração católica ( influenciado pela cultura de Catolé da Rocha). Originalmente percussionista, o artista da vanguarda musical evoluiu na expansão de seu desempenho artístico passando a compor e desenvolver um estilo impulsivo, eletrizante e conceitual.

Escurinho baseou-se na cultura popular de raiz, a partir de elementos como a ciranda, o improviso empandeirizado, o diálogo com canções bem elaboradas.

A negritude assumida de Escurinho o fez começar o show com “Navio Negreiro”, composição de Milton Dornelas, expondo as lutas dos que enfrentaram o cativeiro e se sobrepuseram pela luta sem ignorar o lamento, o banzo.

Depois variou com Raul Seixas e a filosofia profunda segundo a qual “o princípio básico é a comunicação. Sabido, seguiu no reportório de sua biografia em que exige compromisso real do tipo, como diz a canção, “se você me ame que me agora”.

Depois com auxílio luxuoso do violonista e guitarrista exuberante Jr Espínola ele entrou na ciranda, “na onda dentro da onda” até chegar ao tom de “dançar de ciranda na beira do mar/ estrela do mar vem mais eu”.

Foi assim até chegar a uma canção sobre as “flores/mande flôres” de autoria dele com Chico Cesar, seu camarada com o desempenho sensacional de Jr Espínola com solos deslumbrantes a lembrar a guitarra havaiana ou citara indiana.

A NOVA FASE DE TOTONHO

Quem conhece a base referencial da música do Nordeste conhece bem as figuras artísticas de perfil diferenciado. Totonho é desses nomes. Parece atrair para si só o jeito de Oto adicionando algo a mais de Dorival Caiymi e o rebolado de Pinduca do Pará.

Suas canções abrigam de tudo. Até canção carnavalesca ele margeia, como fez depois de seus lamentos. E o que diz a letra: “São frios são glaciais / os ventos da solidão”

Dai em diante ele vagueia por uma canção pós moderna de bom desempenho rítmico e abordagem inteligente sobre temas atuais nos quais, por exemplo, ele lembra que “os tubarões de Recife não toleram surfistas”.

Depois de lembrar seu novo álbum, onde chegou a mandar seu amor para os espaços, ele concluiu o show com bela apologia ao samba brasileiro de forma extraordinária.

Os dois terminaram com ciranda envolvendo todo publico.

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