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16/01/2018


Sejamos adversários, nunca inimigos politicos

 

O momento político nacional tem ensejado o surgimento dos “inimigos políticos”. Aprendemos ao longo da vida que as disputas leais são salutares, e isso é da natureza competitiva do jogo democrático. Lamentavelmente o que estamos observando, é que estão desaparecendo aqueles que conhecemos como “adversários” numa peleja política. A exacerbação dos ânimos está proliferando o aparecimento dos “inimigos”.

O adversário mantém-se na intenção de vencer, derrotar aqueles que estão do outro lado na contenda política. Defendendo suas posições sem partir para as ofensas pessoais ou agressões. Restringindo-se ao campo do debate de idéias e convicções. Reconhecendo a importância do respeito mútuo na competição.

Já o inimigo estimula o clima de animosidade, movido a ódio pessoal. Quase sempre se mostra travestido de argumentos ideológicos para justificar sua postura raivosa, arrastando as discussões políticas para as desavenças pessoais, chegando ao ponto da prática de baixarias. É nítida a perda do bom senso. A ira produz cegueira na visão isenta dos fatos, partindo para a precipitação nos julgamentos com a intenção única de destruir o contendor, desqualificá-lo, menosprezá-lo.

Vivemos, portanto, circunstancialmente, uma situação perigosa. Essa radicalização estimulada pela mídia e por organizações interessadas em dividir a nação, não contribui em nada para o exercício da democracia. No “fazer política” não há necessidade de se construir inimizades, nem cultivar o ódio diante dos que se diferenciam do nosso pensar. Não podemos, influenciados pela instabilidade política e a fragilidade das instituições, partirmos para as hostilidades, o exercício da cizânia, o estímulo da discórdia. Façamos o bom combate, pautado nas normas legais democráticas, respeitando direitos e garantias individuais.

Se continuarmos nesse ambiente de guerra, que cresce assustadoramente, estaremos caminhando a passos largos para uma grave conturbação social e política que colocará em riscos o “estado democrático de direito”. Tanto isso é verdade que já há quem defenda a volta da ditadura militar. A democracia não resiste aos impulsos tempestuosos dos que fazem da política uma arena de confronto entre inimigos.
 

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