menu

26/01/2018


A falta de Deus em muitos corações

 

“Que lado nosso é esse, feliz diante da desgraça alheia? Quem é esse em nós (eu não consigo fazer isso, mas nem por essa razão sou santa), que ri quando o outro cai na calçada? Quem é esse que aguarda a gafe alheia para se divertir? Ou se o outro é traído pela pessoa amada ainda aumenta o conto, exagera, e espalha isso aos quatro ventos – talvez correndo para consolar falsamente o atingido?” Essa reflexão é da escritora Lya Luft.

A humanidade está assim, contaminada por manifestações de sordidez. Vivemos um tempo de degeneração moral. O sucesso alheio incomoda, insistimos em não reconhecer qualidades e êxitos dos outros, somos compelidos a manchar a honra das pessoas de forma precipitada. Há no mundo atual uma facilidade enorme de gerar desconfianças em tudo e lançar injúrias e calúnias sem apuração dos fatos reais.

Não estou generalizando, é bom deixar claro isso. Mas vivemos permanentemente no perigo de sermos contagiados pela maledicência, pela perversa acusação, pelas suspeitas infundadas. A mediocridade é uma atitude que perverte nossos valores. Somos críticos cruéis quando não cuidamos em analisar com racionalidade nossas opiniões em relação a fatos e pessoas. Difamar é um exercício comportamental que está sendo cada vez mais adotado. Ignoramos o dever de responsabilidade na proclamação de algo que atinja a honra de outrem. Predomina uma tensão cultural que manipula mentes e consciências. As conveniências definem as ações e estabelecem o que possa ser aceito como verdade.

Tenho preocupação com essa conduta que se propaga na humanidade contemporânea. Está faltando Deus no coração de muita gente. Essa é a razão da crescente violência entre nós, bem como a indiferença social diante dos desafortunados e a banalização do senso de justiça. Nos corações sem Deus germinam a inveja, o ódio, o egoísmo, a falsidade, a maldade.

Nas minhas orações peço, a todo momento, para não me deixar ser atingido por esses sentimentos. Quero acreditar num mundo melhor. Não quero perder a esperança de vivermos numa sociedade tolerante, solidária, comprometida moralmente com as condições de cidadania de cada um, de forma igualitária, sem preconceitos, sem discriminações, sem violação dos direitos individuais e coletivos.
 

Notícias relacionadas