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27/03/2019


Rotina virtual

Por Romye Schneider


“Cumadi Rotina” me acompanha, diariamente, na ida ao trabalho. Acho que com vocês é assim também, né? Um dia desses, tudo estava na mais perfeita rotina, até que algo mudou.

 

Vi uma cena que, de tão inédita, tive vontade de perguntar ao protagonista: – Você tá bem? Tá precisando de algo? Mas, o local não permitia que estacionasse para “acudir” aquele ser, enquanto ainda era tempo.

 

Segui com meu pensamento, daqueles que passam o dia todo pregado no quengo: será que ele tava bem? Era pra eu ter feito algo?

 

O motivo de tanto espanto foi porque a cena acontecia na contramão do que observamos, diariamente. Quando procurei minha Cumadi pra fofocar, o canto mais limpo. Ela era bem besta.

 

Mas, e vocês, meus caros leitores, estão preparados? A cena, a qual me referi, era a de um jovem lendo um livro, a caminho da universidade. Isso mesmo! Um livro! Um estudante, com uma mochila nas costas; numa das mãos, um livro e na outra, um energético. Haja energia pra aguentar o tranco de conseguir ser diferente no século 21.

 

Naquele mesmo caminho que leva às duas maiores universidade da Capital, “Cumadi Rotina” me mostra, todo dia, a cena comum e faz questão de destacar que, de cada 10 estudantes, 11 seguem o mesmo ritual: mochila nas costas; uma mão segura o celular e os dedos da outra ajudam a bulir a caixinha mágica que mudou tantos comportamentos. De tão entretidos, vejo a hora eles arrancarem o chamboque dos dedos ou se estabacar nos postes, nas árvores ou até mesmo nas placas. Ou tudo junto, ao mesmo tempo.

 

Pois, bastou o jovem do livro tomar o seu destino que “Cumadi” reapareceu. Fui logo tentando comentar a cena que foge à rotina e ela ficou estatalada e me encarando. Pensei: vala! Ela vai ter um siricutico. E ela lá de oi arregalado. Eu já tava ficando assustada e deu logo vontade de meter o pé na carreira. Mas, antes que isso acontecesse, ela tascou a pergunta:

 

– O que é livro?

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