menu

09/04/2019


De alma lavada

Por Romye Schneider

Mainha, tia Noilda e dona Lourdes. Três grandes mulheres. Muito mais que isso: mães, avós, donas de casa e embora sejam filhas de uma geração completamente diferente da atual, não só transitam bem, como constroem novas histórias. Resumindo: é um trio de guerreiras.

As duas primeiras, que são irmãs, completaram novo ciclo de vida, no último dia 30 de março. As comemorações aconteceram com uma grande festa no sítio.

Daquelas festanças que a gente se junta e mata a saudade de amigos e familiares. Aqueles que permaneceram morando por lá, enquanto a gente resolveu se mudar pra cá e pra todo lugar. E toda vez que retorna, uma pergunta insiste em ir junto ao passeio: será que não era melhor ter permanecido na minha terra?

Pois, as minhas três guerreiras são de lá de Pombal. Mainha fez 73 anos e não dá um real de cabimento a essa coisa de idade. Tem mais disposição que os cinco filhos. Sem contar que é bastante chegada a uma cervejinha. Já a minha tia, fez 90. Adora a lida no sítio onde mora. É tanto que um dia sofreu uma queda, quebrou o fêmur e no hospital a maior preocupação era se tinha fechado as janelas para as galinhas não entrarem em casa e bagunçar tudo.

A nossa terceira guerreira, dona Lourdes, tem 66 anos e também não tá nem aí pra o correr do tempo. Mas, por que ela está nesta história se nem foi o aniversário dela e nem estava na festa? Porque a conheci no rio de Pombal, onde fui reviver aquela belezura de lugar que mais parece, sagrado, pelo menos, no meu imaginário.

Entre uma estimbungada e outra naquelas águas, uma cena me chamou atenção. Dona Lourdes estava por lá, lavando roupa. Nada demais nisso, se não fosse um detalhe básico, daqueles que fazem toda a diferença: ela é deficiente física e, diante da situação, criou uma estratégia bem criativa pra tal ofício. Diferentemente das outras lavadeiras, dona Lourdes lava roupa sentada numa cadeira, dentro do rio.

Aquela cena me inspirou tanto que resolvi me meter e aproveitei pra conversar com ela, que me surpreendeu pela simplicidade, bom humor e capacidade de superação, diante de tantas dificuldades. Saí de lá, com a alma lavada pelos ensinamentos.

A conversa acabou virando um vídeo e o resultado pode ser visto no link sugerido abaixo.

Notícias relacionadas