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Política

20/07/2019


Preconceito: Em 1997, Governo do Estado processou o jogador Edmundo por se referir ao Nordeste como “Paraíba”; reveja

“A gente vem jogar na Paraíba, e colocam um paraíba para apitar, só podia nos prejudicar”, disse o então camisa 10 do Vasco em partida contra o América-RN.

Edmundo (1997) e Bolsonaro (2019): a forma desrespeitosa com o Nordeste permanece

Por Ângelo Medeiros / Portal WSCOM

 

A famosa frase do ex-jogador Edmundo na partida entre o Vasco e o América-RN, válida pelo Campeonato Brasileiro de 1997, no Estádio Machadão, em Natal-RN, foi bastante relembrada pelos paraibanos, nesta sexta-feira (19), após o presidente Jair Bolsonaro se referir aos governadores do Nordeste como “governadores de paraíba’.

 

Na época, o ex-jogador Edmundo ao ser expulso da partida, usou expressões consideradas preconceituosas contra os paraibanos e nordestinos. “A gente vem jogar na Paraíba, e colocam um paraíba para apitar, só podia nos prejudicar”, disse o então camisa 10 vascaíno.


Edmundo se referia ao juiz da partida, Dacildo Mourão, que é cearense. Ao tentar explicar a atitude preconceituosa, o jogador disse: “É que no Rio temos o costume de chamar os nordestinos de ‘paraíba’, só isso. Mas acho mesmo uma brincadeira escalar um árbitro nordestino em um jogo do Vasco no Nordeste”.


Na época, o Governo da Paraíba chegou a anunciar que iria processar o atacante Edmundo, do Vasco, por racismo, preconceito e perdas e danos, exigindo indenização em torno R$ 2 milhões. A quantia equivale ao que foi gasto com propaganda, entre 1995 e 1997, pela Empresa Paraibana de Turismo (PBTur) para divulgar a imagem do Estado nacionalmente.


Existia ainda outra ação contra Edmundo foi promovida pelo jornalista Sebastião Barbosa de Souza, que afirma que o atleta se referiu de forma “racista e pejorativa indistintamente a todas as pessoas naturais do Estado da Paraíba”.


PRECONCEITO


Tanto a declaração de Jair Bolsonaro, como a de Edmundo evidenciaram bem a generalização e o preconceito ainda existentes no país, especialmente no sul/sudeste e contra nordestinos.


Políticos recentemente já atribuíram o aumento da violência em São Paulo à migração desenfreada, enquanto os “paraíbas” e “baianos” (como são chamados os nordestinos em geral no Rio de Janeiro e em São Paulo) continuam a ser vistos e tratados com discriminação, seja ela explícita ou não, de modo que uma declarações como estas duas podem externar preconceitos que muitas vezes são considerados naturais por quem os profere.