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05/04/2019


‘Desafios para a inserção dos jovens no mercado de trabalho na Paraíba

Rejane Gomes, é professora adjunta do Departamento de Economia da UFPB

Por Rejane Gomes Carvalho*, especial para a coluna

A estrutura do mercado de trabalho vem apresentando transformações importantes, especialmente com os avanços das tecnologias da informação em todos os setores, o que afeta significativamente os segmentos considerados mais vulneráveis como os jovens e as mulheres. Além da exigência de qualificação profissional, impõe-se um perfil de trabalhador mais flexível, competente e proativo. Por isso, deve-se considerar as mudanças na estrutura do mercado de trabalho paraibano e avaliar os fatores que interferem na inserção dos trabalhadores diante das necessidades do mercado. Por outro lado, também é relevante considerar se a economia local poderá dar respostas adequadas às necessidades de criação de emprego e renda, de modo a permitir condições de qualidade de vida nas diferentes localidades.

 

Nos últimos quatro anos foi observada queda na ocupação das pessoas no trabalho principal em diversas atividades no estado da Paraíba, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC). No setor da agricultura e pecuária, estavam ocupadas 13,13% das pessoas em condições de trabalhar em 2015, enquanto em 2018 esse indicador caiu para 12,10%. Na indústria geral, houve queda de 1,47 ponto percentual (p. p.), alcançando 9,68% dos trabalhadores empregados neste setor em 2018, tendo contribuído mais a redução no desempenho da indústria de transformação. Em todo o período analisado, o setor da construção civil registrou queda no nível de emprego, segmento que tem grande importância no dinamismo do mercado de trabalho estadual. Os setores de comércio e serviços, que exibem o maior número de ocupações, registraram oscilações pouco expressivas entre 2015 e 2018, o que indica uma acomodação nas condições de geração de novas ocupações de emprego e renda.

 

Deve-se lembrar que nesta fase a crise econômica afetou mais fortemente o mercado de trabalho brasileiro e suas repercussões terminaram por se estender também sobre a economia local. Considerando a frágil inserção da economia paraibana na região Nordeste e no Brasil, a estagnação na criação de empregos pode ter consequências severas quanto à manutenção da renda. Além do menor ritmo na geração de novas ocupações produtivas, a PNADC também registrou, entre 2016 e 2018, crescimento de 2,89% no número de pessoas ocupadas que possuem dois ou mais trabalhos, o que indica a necessidade de complementar a renda auferida pelo trabalho.

 

Quanto às taxas de ocupação na economia paraibana, observou-se um comportamento preocupante entre 2015 e 2018. Para a faixa mais jovem de 18 a 24 anos, cerca de 12,28% das pessoas em condições de trabalhar estavam ocupadas em 2018, embora tenha havido queda de 0,35 p. p. se comparado com 2015. Seguindo a mesma tendência foi registrada queda de 2,22 p.p. para a faixa de 25 a 39 anos. Por outro lado, os dados que medem a taxa de desocupação demonstraram que o segmento dos jovens apresenta um dos piores destaques, com 35,88% de pessoas desocupadas em 2018, aumento de 0,65 p.p. ante 2015, seguido pelos que estão na faixa de 25 a 39 anos, com 36,88%. Estas duas faixas representam mais de 70% da força de trabalho ocupada no estado da Paraíba. Contudo, as pessoas mais maduras, entre 40 e 59 anos, têm sentido a maior desinserção do trabalho, tendo em vista o aumento de 2,45 p.p. na taxa de desocupação no mesmo período.

 

Os indicadores analisados expõem um fenômeno preocupante do mercado de trabalho no tocante às dificuldades dos jovens encontrarem trabalho e se manterem em ocupações estáveis. Tal comportamento pode estar associado, em parte, aos elementos conjunturais proporcionados pela desaceleração econômica, mas fundamentalmente está relacionado com as mudanças estruturais do modelo de produção que afetam as relações sociais de trabalho e exigem a readaptação da força de trabalho às novas condições impostas pelas tecnologias. A geração presente e as futuras têm o desafio de elevar os níveis de competências, por natureza efêmeras, o que é diferente do sentido mais amplo da qualificação profissional. Além disso, deverão enfrentar um mercado de trabalho em que a flexibilização e a desregulamentação constituirão as marcas no mundo do trabalho, podendo inclusive proporcionar maior instabilidade e dificuldades de inserção em ocupações formais e com rendimentos mais baixos.

 

 

 *Professora Adjunta do Departamento de Economia/UFPB. Doutora em Sociologia do Trabalho/PPGS/UFPB. Integrante do LATWORK: Projeto para desenvolver as capacidades de pesquisa e inovação das instituições de ensino superior da América Latina para a análise do mercado informal de trabalho.  ‘

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