Xiitas reivindicam região autônoma no sul do Iraque - WSCOM

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Internacional

11/08/2005


Xiitas reivindicam região autônoma no

O líder do partido político xiita mais influente do Iraque reivindicou a criação de uma região árabe xiita autônoma no sul do país, no momento em que são realizadas as últimas negociações sobre o projeto da nova constituição.

Numa manifestação realizada em Najaf, ao sul de Bagdá, o líder do Conselho Supremo para a Revolução Islâmica no Iraque (SCIRI), Abdul Aziz al-Hakim, afirmou que apóia a idéia de uma região federativa xiita.

Os muçulmanos xiitas, que representam 60% da população iraquiana, foram reprimidos durante todo o regime sunita do ex-presidente Saddam Hussein.

“Nós vemos a necessidade de uma zona autônoma no centro e no sul do Iraque”, disse Hakim, que ressaltou que existe uma presença xiita mais forte nessas áreas.

Reta final

Os curdos no Iraque obtiveram uma região no norte do país em 1991, quando passaram a ter certa autonomia – e alguns líderes xiitas defendem que têm o mesmo direito.

A reivindicação foi feita quatro dias antes do término do prazo para apresentação da proposta da nova constituição iraquiana, período em que os assuntos mais delicados estão sendo discutidos.

Um deles é justamente o papel do federalismo e o equilíbrio de poder entre as comunidades xiita, sunita e curda.

Porém, outro membro do partido SCIRI, Akram al-Hakim, nega que o pedido seja uma manobra política.

“Essa reivindicação não foi feita agora e sim há algum tempo. Além disso, já existe quase um consenso de que o futuro sistema político do Iraque deva ser um sistema federativo, democrático e republicano”, disse Hakim.

Por outro lado, a proposta desta quinta-feira dá um passo à frente do plano anterior, que já foi assunto de vários debates nas conversas sobre a nova constituição e previa a fusão de uma série de províncias ao redor de Basra numa região de estilo federativo.

‘Inaceitável’

Essa proposta mais cautelosa já tinha sido rejeitada pelos sunitas, que já externaram a preocupação de perder rendimentos importantes em regiões ricas em petróleo caso os xiitas tivessem autonomia no sul e os curdos no norte.

“Torcíamos para este dia nunca chegar”, afirmou o político sunita Saleh al-Mutlak à agência de notícias Reuters.

“Acreditamos que os árabes, tanto sunitas como xiitas, são um povo só”, disse Mutlak, que criticou as tentativas de dividir o Iraque em linhas sectárias.

Um porta-voz do primeiro-ministro Ibrahim Jaafari, que é xiita, disse que a idéia de uma região xiita é “inaceitável”.

Em Najaf, no entanto, a sugestão de Hakim foi recebida com aplausos de uma multidão, que se reuniu em homenagem ao aniversário da morte do líder religioso xiita, aiatolá Mohammed Bakir al-Hakim, irmão do líder político e que morreu numa explosão de um carro durante as orações de sexta-feira em Najaf há dois anos.

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