Walter Galvão define em estudo aprofundado os 200 anos de Karl Marx - WSCOM

menu

Brasil & Mundo

05/05/2018


Walter Galvão define em estudo aprofundado os 200 anos de Karl Marx

Além disso, Karl Marx identificou, na concretude das relações materiais, a espiritualidade que a ética estabelece, propôs o materialismo histórico e dialético enquanto salto qualitativo para a equalização de uma nova consciência e refinou com novo aporte teórico o conceito de classe social

Foto: autor desconhecido.

O jornalista Walter Galvão definiu nesse sábado (5), em um estudo aprofundado os 200 anos de Karl Marx. A publicação pode ser lida em seu blog http://pontoggalvao.blogspot.com.br

Leia na íntegra:

200 anos de nascimento de Karl Marx

Walter Galvão – Militante destacado do quarteto fantástico que iluminou com ideias antes nunca vistas o horizonte das realizações humanistas dos séculos XIX e XX, Karl Marx, nascido há 200 anos na Alemanha, ao lado de Einstein, Darwin e Freud, contribuiu de maneira espetacular e decisiva para modelar o mundo como o compreendemos na atualidade.

Descreveu um insuspeito oceano na economia, refutou sob a perspectiva da autoconsciência crítica o repertório da filosofia, redefiniu o fluxo das energias plasmadoras da dialética e reinventou a política através de uma nova teoria da história e nova escala de valor para o trabalho e o poder.

Além disso, Karl Marx identificou, na concretude das relações materiais, a espiritualidade que a ética estabelece, propôs o materialismo histórico e dialético enquanto salto qualitativo para a equalização de uma nova consciência e refinou com novo aporte teórico o conceito de classe social.

O sábio de Trier também refutou a ideia de Deus como justificativa para a cristalização de formas sociais e desnaturalizou a religião enquanto ponte indispensável para a completude do ser, ser com ele liberto de fetichismos e superstições.

O impacto de sua participação na história da modernidade que se inaugura com as revoluções norte-americana e francesa é irrefutável.

Uma voz eloquente que redefiniu conceitos ideológicos (a história é a história da luta de classes) refutando a lógica clássica da acumulação patrimonial (tudo que é sólido desmancha no ar), inaugurando novas instâncias teóricas para a definição do processo social (lucro é diferente de mais-valia) e localizando numa classe a primazia do protagonismo revolucionário legítimo para criar a nova política (o que caracteriza o comunismo não é a abolição da propriedade em geral, mas a abolição da propriedade burguesa).

Hoje, boa parte do mundo saúda o aniversário de 200 anos de nascimento do pensador, ocorrido a 5 de maio de 1818, que inovou as ciências, revolucionou a política, redimensionou as artes e redirecionou o caminho da civilização ocidental.

Nessa hora importante, cumpre a todos nós que estamos atentos às especificidades políticas, econômicas e culturais de um capitalismo em convulsão devido a crises concêntricas cíclicas, crises inclusive previstas pelo próprio Marx, observar a qualidade do seu legado, sua influência até hoje, os erros e acertos de sua obra.

Trata-se de um exercício que supera a contemplação do fenômeno histórico para vitalizar a ideia de participação de um processo orgânico em permanente acontecer.

Se é justo afirmamos, diante da complexidade da obra de Karl Marx, “só sei que nada sei”, também é lícito dizer que “o caminho se faz ao caminhar”. Assim, é na busca de fontes contemporâneas das ideias sobre o legado de Marx que expandiremos a consciência a respeito de um monumento teórico – no qual os volumes da obra “O Capital” brilham com a intensidade de uma supernova e ostentam poder de atração de um Buraco Negro – que continua abalando as gerais.

Para fundamentar a refutação das ideias básicas de Marx – o Estado é a encarnação do poder de uma determinada classe, a luta de classes é o motor da história, o capitalismo é uma fase evolucionária da civilização, o excesso de trabalho do trabalhador produz o lucro do capitalista, o capitalismo produz a alienação do indivíduo: quem produz não tem acesso ao que produz integralmente, a evolução do capitalismo levará à própria extinção do capitalismo, a ditadura do proletariado substituirá o Estado burguês e levará à sociedade sem desigualdades, entre outras – uma obra sugerida é “Os Erros Fatais do Socialismo – Porque a teoria não funciona na prática” (Faro Editorial, 2017, SP) do prêmio Nobel de Economia, o vienense Friedrich August Hayek (1889-1992).

Na contramão de Hayek, que argumenta sobre o capitalismo tratar-se não de uma forma histórica superável como foi superado o feudalismo, mas de um imperativo cultural moral de fundo também genético inerente em sua persistência inelutável ao sentido de sobrevivência da espécie, há o recente ensaio “Marx estava certo” (Nova Fronteira, 2012, RJ), do filósofo e crítico literário britânico Terry Eagleton.

“Desigualdades espetaculares de riqueza e poder, beligerância imperialista, exploração intensificada, um Estado cada vez mais repressivo: se tudo isso caracteriza o mundo de hoje, trata-se, também, de questões sobre as quais o marxismo atuou e refletiu durante quase dois séculos”, afirma Eagleton num ensaio de adesão racional a uma interpretação do mundo contida no legado intelectual de Karl Marx que continua a dar respostas concretas aos desafios do capitalismo hiperglobalizado. Cada vez mais Marx será invocado a cumprir seu papel de revolucionar criticamente a perspectiva histórica do Ocidente sob o capitalismo. Uma contribuição definitiva à nossa civilização.

Notícias relacionadas