Vigilância Sanitária interdita creche onde crianças comem no chão sem partos - WSCOM

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Brasil & Mundo

29/09/2017


Crianças comem no chão de creche

SEM PRATOS

Foto: autor desconhecido.

Por conta de péssimas condições de higiene e estrutura, a Vigilância Sanitária interditou um centro de educação infantil particular, em Curitiba, que atendia 35 crianças entre um e seis anos de idade.

Fotos mostram as condições precárias de alimentação: crianças comendo no chão, sem pratos. O cardápio era limitado, e as frutas passadas. Nos banheiros, a higiene também deixava a desejar. Os registros foram feitos por uma funcionária, que não quis se identificar.

"A comida das crianças, ela passava só uma água nos pratos e já colocava ali de volta, não tinha higiene nenhuma no local, sabe? A sopa dos bebês era pura água com pedaços de legumes grandes, que se a gente não fosse lá e não desse um jeito de amassar. E era difícil, porque tinha uns pedaços muito duros, bem mal cozido. E depois de um tempo, da gente reclamar muito pra ela sobre a sopa, começou a vir só uma água assim, sabe? Eu falava, mas o que é isso? Ela falava pra mim, ai, é a nutricionista, eu não posso fazer nada", contou a colaboradora.

Antônio Rodrigues Filho disse que tirou o filho da escola depois que o menino teve uma intoxicação alimentar. "Ele chegou em casa, teve um vômito e no vômito tinha pedaços de legumes inteiros, pedaços grandes para uma criança de sete meses, ela não consegue mastigar. E a cenoura estava crua", relatou o pai.

A Vigilância Sanitária fez uma inspeção no local e comprovou as irregularidades.

"Fiação exposta, a questão de manutenção de piso, de parede, a questão de manutenção dos brinquedos, as próprias carteiras. Enfim, são todas situações que expõem um risco àquela criança. Pontos de bolor na área da cozinha, os brinquedos que não estavam devidamente higienizados", afirmou Francielle Narloch, coordenadora da Vigilância Sanitária.

Em uma página na internet, os pais revoltados compartilham as informações sobre a escola. Eles contam que no dia da interdição receberam apenas um bilhete na agenda informando que a creche seria fechada para reformas e que, desde então, não conseguiram mais contato com os donos.

Carina de Souza Lima, mãe de uma menina de três anos, disse que era frequente encontrar a filha suja e com fome.

"Teve uns episódios que minha filha ficou assada no vivo. Eu trazia ela de manhã perfeita. De tarde, ela estava toda assada. Perguntava para a diretora da escola o que tinha acontecido, ela falava que as crianças tinham comido muitas frutas cítricas, por isso que provavelmente tinha assado. Outro episódio que perguntei para a minha filha: ‘filha, você não deixa as tias te limparem? ’. Daí a minha filha falava que não tinha papel na escola pra limpar", relatou Carina.

A escola não tinha alvará para funcionar. Os donos vão responder a um processo administrativo sanitário e dependendo da decisão correm o risco de ter que pagar uma multa pela série de infrações que cometeram.

"Me sinto uma péssima mãe de ter deixado minha filha aqui dois anos e não ter percebido nada", desabafou Carina.

A creche ficava no bairro Santa Quitéria e foi interditada em 21 de setembro. A RPC tentou entrar em contato várias vezes com a dona da creche, mas ela não atendeu às ligações.