Versão erótica de Peter Pan pode causar briga legal - WSCOM

menu

Entretenimento

26/06/2006


Versão erótica de Peter Pan

O escritor britânico de quadrinhos Alan Moore, responsável por super-produções de Hollywood como Do Inferno e V de Vendetta, recriou três clássicos da literatura infantil com um viés pornográfico e erótico.

Moore contou à repórter Nicola Stonebridge as vidas de Wendy, de Peter Pan, Dorothy, de O Mágico de Oz e Alice de Alice no País das Maravilhas já mulheres.

O escritor disse que sua intenção era criar uma obra ao mesmo tempo pornográfica e artística, que servisse também como um convite à reflexão.

Mas o hospital londrino Great Ormond, que detém os direitos de reprodução da obra original, já deu sinais de que talvez não autorize a venda do livro na Grã-Bretanha e no resto da Europa.

‘Garotas perdidas’

A história de Peter Pan foi publicada em 1902, no livro The Little White Bird, do escritor escocês James Barrie.

Desde então, inúmeras versões das aventuras de Peter Pan e seus amigos foram publicadas.

No livro de Alan Moore, uma extravagante versão em quadrinhos, Wendy cresceu.

Ela divaga sobre sua infância e sua sexualidade acompanhada por Alice e Dorothy.

O livro, intitulado Lost Girls (Garotas Perdidas em tradução literal), chega às lojas no verão e foi escrito por Alan Moore com ilustrações de Melinda Gebbie.

“A idéia original para Lost Girls surgiu de pensamentos que tive ao ler Peter Pan”, disse Alan Moore.

O escritor disse que queria “criar uma obra erótica ou pornográfica que tivesse arte e que também fosse uma espécie de arena para discussão das nossas idéias sexuais”.

As conexões entre Alan Moore e Hollywood fazem de Lost Girls um lançamento de peso.

Vários dos seus livros foram transpostos para as telas em grandes produções. Entre elas, o filme A Liga Extraordinária.

Alan Moore trabalhou 16 anos em Lost Girls.

“Em uma das narrativas, a de Wendy, ela conta que, ainda adolescente, se envolveu com um grupo de crianças da classe trabalhadora para fazer brincadeiras sexuais em um parque”, explica Moore.

“Existe um elemento predador nessa paisagem, um pedófilo, que tem uma mão em forma de gancho, deformada pela artrite.”

“Temos um drama selvagem e assustador acontecendo nesse parque vitoriano”, acrescenta.

Publicado nos Estados Unidos, o livro foi encomendado por vários fãs do escritor na Grã-Bretanha.

Incerteza – Mas seu futuro pode estar nas mãos do Great Ormond Street Children’s Hospital, em Londres.

Em seu testamento, James Barrie, morto em 1937, deixou para a instituição os direitos de reprodução da história de Peter Pan.

“O meu entendimento é que o livro não pode ser distribuído na Grã-Bretanha e União Européia sem nossa permissão”, disse a representante do hospital, Christine De Poortere.

(Lost Girls) “é um romance em quadrinhos com conteúdo adulto forte, e seria provavelmente inapropriado para um hospital endossar algo desse tipo”.

De Poortere disse que a integridade de James Barrie e dos personagens criados por ele também são considerações importantes.

Debate – “Existe um argumento de que a sexualidade e seu papel no crescimento sempre foram um subtexto na história de Peter Pan”, rebate Moore.

“Não acho que você pode proibir qualquer coisa nos dias de hoje. E não foi nossa intenção tentar provocar uma proibição”.

O escritor Richard Johnson, especializado em quadrinhos, admirador do trabalho de Alan Moore, leu Lost Girls.

Ele disse que a forma como o livro apresenta Wendy, Peter e o capitão Hook, com referências à pedofilia, pode render ao livro o apelido de “Pedo Pan”.

“É um livro inteligente”, disse Johnson. “Pode se tornar o novo O Amante de Lady Chatterley”.

O escritor disse que assim como o livro de D.H. Lawrence, escrito em 1928, Lost Girls confronta a censura e se afirma enquanto arte.

“Sim, (O Amante de Lady Chaterley) é obsceno, mas também é arte. Lost Girls é a mesma coisa”, conclui.

Notícias relacionadas