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Brasil & Mundo

19/05/2018


Venezuela fecha a fronteira com o Brasil na véspera da eleição presidencial

Eleições na Venezuela ocorrem neste domingo (20). Fronteira foi fechada por guardas venezuelanos e veículos estão proibidos de passar. Tráfego é liberado somente para pedestres.

Foto: autor desconhecido.

A fronteira entre Venezuela e Brasil amanheceu fechada neste sábado (19). A medida foi determinada pelo presidente Nicolás Maduro às vésperas das eleições presidenciais que ocorrem neste domingo (20).

Candidato à reeleição, Maduro lidera as pesquisas de opinião em uma eleição na qual os principais opositores não podem concorrer. O país vive uma grave crise econômica e humanitária, o que fez aumentar os fluxos migratórios de venezuelanos para outros países, como o Brasil.

Segundo o Itamaraty, a fronteira foi fechada às 21h de sexta (18) e deve permanecer assim até às 6h da próxima segunda. A informação foi repassada ao Itamaraty pela Embaixada do Brasil em Caracas.

Na fronteira, a 215 km de Boa Vista, veículos estão proibidos de entrar ou sair da Venezuela, mas é possível cruzar o caminho a pé. No entanto, guardas venezuelanos dizem que há a possibilidade de o tráfego ser fechado para pedestres.

No início da manhã dese sábado, a fronteira estava fechada apenas no posto de fiscalização de Santa Elena de Uairén. Às 8h30 (9h30 de Brasília), no entanto, guardas venezuelanos bloquearam a passagem logo na divisa entre os dois países. A cidade é a primeira depois de Pacaraima, município brasileiro ao Norte de Roraima.

A medida de fechar a fronteira é adotada pela Venezuela sempre que ocorrem eleições no país como forma de segurança durante o pleito.

“A República Bolivariana da Venezuela, cada vez que tem um processo eleitoral, fecha a fronteira para resguardar a soberania territorial e também para que as Forças Armadas controlem todo território nacional, e isso se inclui a fronteira”, explicou o cônsul-adjunto da Venezuela em Roraima, José Martí Uriana.

Mesmo com a fronteira fechada, venezuelanos continuam deixando o país. A engenheira química Henmar Medina, de 28 anos, cruzou a divisa entre os dois países a pé. Ela saiu de Valência, no estado de Carabobo, na última quarta-feira (23), para fugir da crise que devasta a Venezuela.

“Vou para Buenos Aires. Na Venezuela não tinha mais como ficar. Ontem tive medo de não conseguir sair, mas consegui. Não há problema se tenho que ir a pé”, disse.

Outros dois venezuelanos também cruzaram a fronteira com ela. Os três se conheceram no caminho e em comum têm a vontade de deixar o país, conseguir trabalho no Brasil e voltar para buscar a família.

“Quero levar meus filhos e minha mulher para a Argentina comigo. Vou na frente para conseguir o dinheiro para buscá-los. Vamos recomeçar”, disse Ismael zambrana, 30.

Eles, assim como milhares de venezuelanos, acreditam que as eleições serão manipuladas. “Não quisemos esperar as eleições. É mais do mesmo. Não acredito no processo eleitoral” declarou Carlos Ocopio, 41.

O fechamento da fronteira afeta ainda os brasileiros. Armandina Lopes, 62, mora há 45 anos em Santa Elena de Uairén, onde é servidora pública. Aos sábados tem aulas em Boa Vista e costuma cruzar a fronteira de carro. Hoje teve de fazer o caminho entre os dois países a pé. A distância é de cerca de 2km.

“Hoje tenho prova, tive que deixar o carro, mas sigo caminhando”, destacou.

G1

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