Varig cancela 20 vôos e trabalhadores querem reduzir rotas - WSCOM

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Brasil & Mundo

20/06/2006


Varig cancela 20 vôos e

A Varig cancelou ao menos 20 vôos que partem de São Paulo e Rio de Janeiro em rotas domésticas e internacionais nesta terça-feira. Desses vôos suspensos, seis eram da ponte aérea entre Rio e São Paulo. As informações foram fornecidas pela própria companhia aérea à Infraero (empresa que administra os aeroportos).

A Varig tem cancelado cerca de 10% de seus vôos nas últimas semanas devido à falta de aeronaves. A Justiça dos EUA determinou há pouco mais de dez dias que a empresa devolva sete aviões para a Boeing. Além disso, mandou que outras nove aeronaves deixem de voar a partir de hoje, às 12h, para passarem por manutenção antes de serem devolvidas a outra empresa de leasing, a ILFC.

Ontem, o juiz Luiz Roberto Ayoub, da 8ª Vara Empresarial, aceitou a proposta de compra de R$ 1,010 bilhão feita pelos trabalhadores ligados ao TGV (Trabalhadores do Grupo Varig) e estabeleceu o prazo de depósito de US$ 75 milhões até sexta-feira para concretização da venda.

Os trabalhadores, que dizem estar consorciados com investidores ainda não-revelados, dizem que têm condições de efetuar o pagamento, mas afirmam esperar pela ajuda do governo.

Márcio Marsillac, coordenador do TGV, disse ontem que espera a ajuda do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para o pagamento da US$ 75 milhões caso os investidores não tenham tempo suficiente para liberar os recursos requeridos pela Justiça e com aporte de US$ 150 milhões, que seria o capital de giro estimado para a Nova Varig operar num primeiro momento.

Segundo Marsillac, com a ameaça de retomada de aviões por parte de empresas de leasing, os trabalhadores querem implementar um plano de contingência para evitar a apreensão das aeronaves, o que reduziria ainda mais os vôos da companhia.

Segundo ele, a Varig operaria com 30 aviões e deixaria outros 19 no solo para evitar a retomada por parte de arrendadores.

O plano ainda depende de negociações entre os trabalhadores, a Casa Civil, as estatais e a administração da companhia, uma vez que o comando da Varig só passa aos trabalhadores após o pagamento da parcela de US$ 75 milhões. A partir de hoje já haverá reuniões da TGV para analisar esse plano de contingência.

Ayoub disse que se dinheiro não for apresentado à Justiça, ele poderá realizar outro leilão da Varig.

Esses US$ 75 milhões deverão ser usados para pagar fornecedores da empresa aérea, como as estatais BR Distribuidora (combustíveis) e Infraero (empresa que administra aeroportos), e também empresas estrangeiras de leasing (arrendamento) de aviões.