Valério se compara a Tiradentes e acusa governo de blindar petistas - WSCOM

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Brasil & Mundo

19/08/2005


Valério se compara a Tiradentes

O publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, 44, em entrevista por telefone à Folha, acusou o governo de “blindar” ex-dirigentes petistas nas investigações do “mensalão”.

Referindo-se a si mesmo na terceira pessoa, disse: “O laranja Marcos Valério foi sugado, cuspido, abandonado e largado. Este careca vai ter de ser enforcado até ficar sequinho igual a pau, para que o governo possa blindar quem lhe interessa”.

A seguir, os principais trechos da entrevista.

Folha – O lobista Nilton Monteiro disse ao Ministério Público Federal que esteve com o sr. no início de julho e que o sr. teria informações sobre depósitos para campanhas eleitorais dos tucanos José Serra, Fernando Henrique Cardoso e Aécio Neves. É verdade?

Marcos Valério – Vamos parar com a onda de denuncismo. Os nomes que eu tinha para revelar, já revelei. O Cláudio Mourão (ex-tesoureiro da campanha de Eduardo Azeredo a governador de Minas Gerais na eleição de 98) pediu que eu recebesse o Nilton Monteiro, mas não o recebi. Meu sócio Rogério Tolentino e um advogado de nome Aloisio o atenderam, no meu lugar. Ele queria me vender a Barra da Tijuca (bairro do Rio) para esquentar dinheiro que ele achava que eu tinha.

Folha – O sr. pagou a outras agências de publicidade que trabalharam para petistas, além da de Duda Mendonça?

Valério – Não sei o que o PT fez com os recursos que eu repassei a ele. O que me surpreende muito é a blindagem que o governo faz em cima de algumas pessoas. O maior anunciante é o governo, e ele blinda quem lhe interessa. Não lhe interessava blindar Marcos Valério. Então, o governo cancelou minhas contas.

O governo federal pôs tampão nos olhos e nos ouvidos e, caladinho, blinda as pessoas que lhe interessam. Blinda a cúpula do PT. O laranja Marcos Valério foi sugado, cuspido, abandonado e largado. Como sou mineiro, me condenaram como a Tiradentes. Este careca vai ter de ser enforcado até ficar sequinho igual a pau, para que o governo possa blindar quem lhe interessa.

Folha – Parte desse dinheiro pode ter sido usada para enriquecimento pessoal de ex-dirigentes do PT?

Valério – Não tenho informações. Quem tem de explicar o destino do dinheiro é o PT. O que o país queria saber de mim já sabe.

Folha – Suas agências estão disputando a licitação para publicidade do governo de Minas, neste momento, e foram habilitadas.

Valério – Deixo de ser sócio das empresas a partir de hoje. Marcos Valério não disputa mais nada na vida. Ele é um novo desempregado. Faz parte da fila dos desempregados a partir de hoje.

Folha – O Emerson Palmieri, tesoureiro informal do PTB, reafirmou que esteve com o sr. na Portugal Telecom em Lisboa, em janeiro. Disse ainda que o sr. se apresentou como pessoa do PT.

Valério – Eu cantei a pedra desde o início. Disse que o Emerson não iria dizer toda a verdade, só parte dela. Ele estava muito estressado pelas pressões de Roberto Jefferson. Havia um problema muito sério na fundação que ele presidia (Instituto Getúlio Vargas, vinculado ao PTB). A revista “Veja” estava atrás dele a respeito de fornecedores e notas. Ele resolveu viajar comigo apenas para fugir do estresse aqui.

Folha – O que se passou na visita a Lisboa entre 24 a 26 de janeiro?

Valério – Do aeroporto, fomos direto para o Hotel Tivoli. Tomamos banho e fomos à sede da Portugal Telecom. Me apresentei para falar com o presidente da empresa. A secretária Isabel Menezes me chamou. Palmieri e meu sócio Rogério Tolentino ficaram na sala de espera. Ela disse que o presidente pedia desculpas, mas não poderia me atender. Não encontrei ninguém naquela viagem.

Folha – O sr. propôs a venda da Telemig à Portugal Telecom em outubro do ano passado?

Valério – Em momento algum fui discutir a venda da empresa com Miguel Horta. Fui defender a manutenção da conta publicitária da Telemig, que havia conquistado em 1998. Se a Vivo comprasse a Telemig, a conta de publicidade seria centralizada em São Paulo. Fiz uma estratégia defensiva.

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