Trabalhadores rurais pretendem continuar em ocupação no RS, apesar de ordem de d - WSCOM

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Brasil & Mundo

05/03/2006


Trabalhadores rurais pretendem continuar

As 1.800 famílias do Movimento dos Trabalhadores sem Terra (MST) que estão ocupando a fazenda Guerra, em Coqueiros do Sul, interior gaúcho, devem permanecer no local, apesar da ordem judicial determinado a sua saída até a tarde de hoje (5). Segundo uma das coordenadoras do acampamento, Ana Soares, eles irão aguardar um posicionamento dos governos federal e estadual para negociarem o assentamento ou a transferência para outro lugar.

As famílias ocuparam a fazenda, de cerca de 7 mil hectares, uma das maiores do estado, na última terça-feira (28). Elas tinham sido despejadas de um acampamento do MST às margens da rodovia estadual RS-406, cinco dias antes. Cerca de mil barracos já teriam sido construídos na fazenda, com madeira abandona de uma serralharia próxima ao local.

Ana Soares também disse que a escola do acampamento será inaugurada ainda hoje. Ela informou que existem cerca de 400 crianças e adolescentes que devem ser beneficiadas pelo colégio, que conta com 31 educadores do MST e teria autorização de funcionamento do Ministério da Educação.

Edemir Vasolen, outro coordenador do acampamento, defende a ocupação da fazenda Guerra, apesar de ela não ser considerada improdutiva. “Para nós, todo latifúndio é improdutivo, se não gera emprego e beneficia apenas o seu dono. Essa fazenda só produz soja, que é para a exportação e não serve para matar a fome do povo”, argumentou.

Para Vasolen, um possível assentamento no local iria beneficiar os municípios de Pontão, Coqueiros do Sul e Carazinho, que englobam a fazenda. “Quando foi feito o assentamento de 500 famílias que ocuparam o município de Pontão, próximo daqui, em 85, houve um desenvolvimento da região, através do comércio de vários produtos, como insumos, e da agricultura dos assentados”.

De acordo com o MST, apenas 220 famílias gaúchas foram assentadas desde 2003, quando o Plano Nacional de Reforma Agrária prevê 15 mil, até o final de 2006. O movimento ainda estima que existam 110 mil famílias sem terra no estado do Rio Grande do Sul.

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