Samuel Abreu Pêssoa, da FGV, palestra hoje nos 70 anos do curso de Economia da UFPB: o que esperar à frente - WSCOM

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04/12/2018


Samuel Abreu Pêssoa, da FGV, palestra hoje nos 70 anos do curso de Economia da UFPB: o que esperar à frente

Foto: autor desconhecido.

Por Walter Santos

A reitora da Universidade Federal da Paraiba, professora Margareth Diniz preside nesta terça-feira, às 18h30, solenidade comemorativa de 70 anos do curso de Economia trazendo o professor da Fundação Getúlio Vargas, Samuel Abreu Pêssoa, para avaliar o processo econômico contemporâneo na direção do futuro com o Governo Bolsonaro e a renovação dos mandatos no Estado.

A palestra é aguardada com atenção porque as Universidades públicas sempre foram ambientes adequados para visões diferentes de economistas sobre a realidade social divididos em caminhos de inclusão social versus economia neo liberal.

Recentemente, a predominância do olhar crítico do curso pela influência marxista – velho confronto entre Capital e trabalho foi substituída ou atenuada com a ascensão de professores mais alinhados com a vertente neo liberal com participação mínima do Estado no mercado.

QUEM É – Recentemente, Samuel defendeu em evento da FGV, que o PIB per capita brasileiro cresceu abaixo da média mundial e muito aquém do pelotão dos países asiáticos. Entre os latino-americanos, apenas o Chile apresentou taxas elevadas de crescimento do PIB per capita no período em foco.

CAUSAS DO PROBLEMA -;Conforme noticia, ele citou 10 fatores que direta ou indiretamente prejudicam a produtividade e impedem o crescimento acelerado da economia brasileira:

1.Alto e sempre crescente gasto público;
2.Elevada carga tributária;
3.Baixa poupança agregada;
4.Legislação trabalhista complexa e de alto custo;
5.Regulação econômica deficiente, com agências reguladoras frágeis;
6.Infraestrutura ruim;
7.Economia fechada ao comércio internacional;
8.Judiciário caro, lento e imprevisível;
9.Baixo nível educacional;
10.Empresas muito pequenas, informais e ineficientes.

CAUSA – Samuel se concentrou no primeiro fator: o aumento contínuo do gasto público e, para financiá-lo, da carga tributária. Segundo o professor da FGV, a redemocratização no Brasil gerou fortes pressões sobre o Tesouro e o sistema político se mostrou incapaz de arbitrar a disputa por recursos públicos. A solução “fácil’ foi aumentar a carga tributária.

Para ele, essa trajetória fiscal reflete uma realidade política: “Talvez para evitar crises políticas e preservar nossa nascente democracia, fomos gerando inúmeros mecanismos de redistribuição de renda para os mais pobres, mas também para a classe média e mesmo para os mais ricos.

MAIS INFLUÊNCIA – De um lado, os políticos tiveram de responder às demandas dos mais pobres, que são a maioria do eleitorado. De outro lado, como a sociedade é muito desigual, não apenas quanto à distribuição da renda, mas também do poder, os grupos mais bem organizados, em geral ligados aos setores de renda mais alta, mantiveram sua capacidade de assegurar benefícios fiscais, financeiros e tributários (isenções e crédito subsidiado para empresas, privilégios corporativos para categorias do funcionalismo público, etc.).

Segundo ele, isso gerou uma pressão fiscal crescente, que empurrou a tributação para patamar superior a 30% do PIB, tornando o Brasil um dos países de renda média com maior carga tributária, e fez aumentar a dívida pública.
O aumento da dívida pública, por sua vez, pressionou o juros, o que encareceu o crédito. Juros altos e carga tributária pesada seguram o crescimento.

Para ilustrar o aumento do gasto com os mais pobres, o palestrante apresentou a tabela abaixo, que mostra o aumento das despesas do governo federal na área social.

O maior aumento se dá no INSS e reflete em grande medida a política de valorização do salário mínimo nos governos FHC e Lula (70% dos benefícios estão indexados ao salário mínimo).

Sobre esse tema, Pessoa ressaltou: “No primeiro e segundo mandatos de FHC, o ganho real do salário mínimo foi de 20%. Nos dois de Lula, 25% e 22%. Portanto, é uma tendência que não é deste ou daquele partido, mas reflexo do contrato social da redemocratização”.