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Política

12/09/2018


Coluna de Éder Dantas analisa desafios de Haddad na corrida presidencial

Foto: autor desconhecido.

Derrotados todos os recursos da defesa do ex-presidente Lula e vencidos todos os prazos, eis que o Partido dos Trabalhadores – PT decidiu substituir seu candidato a presidente, em um ato improvisado em frente a sede da Polícia Federal em Curitiba, no final da tarde desta terça-feira. Anunciado através de uma carta do ex-presidente lida solenemente pelo advogado Luiz Eduardo Greenhald, Fernando Haddad foi ungido à condição de cabeça de chapa, tendo como vice a jovem neocomunista Manuela D’Ávila.

A 26 dias do pleito presidencial Haddad terá uma missão hercúlea a cumprir: apresentar-se ao país e amealhar pelo menos 20% dos votos, criando assim condições para sua passagem ao segundo turno, aonde deverá enfrentar (a preço de hoje) o candidato da extrema-direita, Jair Bolsonaro. As eleições brasileiras

Ex-ministro da educação nos governos Lula e Dilma o presidenciável tem identidade com os avanços da era petista (foi responsável pela implantação de programas de grande impacto social, como o PROUNI e a expansão do ensino técnico profissional), ele é uma aposta de renovação do eleitorado de esquerda, comandando um chapa com perfil jovem, completada pela serelepe “Manu”.

Mas, o grande desafio de Haddad é a conquista dos eleitores mais pobres, aquela massa que sempre decide as eleições. Estes estão localizados na periferia das grandes cidades, na zona rural e, numericamente, mais concentrados nos territórios do norte e do nordeste. Nessa zona, tucano não entra e Bolsonaro tem visíveis dificuldades. Seu grande adversário (não político e, sim, eleitoral) é Ciro Gomes (ex-governador do Ceará e ministro da integração regional no governo Lula). É uma disputa no mesmo campo.

Haddad chega atrasado na disputa. Agora, todavia, começará a participar de entrevistas na TV e dos. Como vice-presidenciável, já demonstrou conhecimento, experiência e clareza de raciocínio, mesmo quando emparedado pela bancada da Globonews. É um nome qualificado, transmite credibilidade e à altura do desafio a que se propõe.

Sensibilizar o eleitorado lulista é o grande desafio de Fernando Haddad. Para atingir o objetivo, ele contará (em relação a Ciro) com um partido maior e mais estruturado, alianças mais amplas (especialmente no nordeste), maior tempo de televisão e o uso da imagem de Lula, embora esta tenha restrições de uso em virtude de sua condição em Curitiba. Não adianta o candidato petista mostrar capacidade administra se não ganhar a maioria do eleitorado, gente simples que quer o fim da Era Temer e a retomada dos anos dourados de Lula.

Haddad irá para o segundo turno? Pesquisas indicam que isso é possível. Dependerá, sobretudo da transferência de votos de Lula para o professor da USP. Na história brasileira, duas vezes este fenômeno ocorreu de forma relevante: no apoio de Getúlio a Dutra em 1945 e de Brizola a Lula no segundo turno dw 1989. No cenário internacional, o caso mais conhecido foi o da eleição de Hector Campora na Argentina na Argentina em 1973, cujo slogan era “Campora no governo, Perón no Poder”.

A ida de Fernando Haddad para a etapa final da disputa lhe dará chances reais de vitória. Isto se dará especialmente se ele confrontar Bolsonaro. Este tem forte índice de rejeição. Haddad teria que, então, costurar uma frente ampla, sem deixar de apresentar alternativa à temerária agenda política, econômica e social em curso. Perfil para isso, ele tem. Apoio de Lula obterá, com certeza. Enfrentará, contudo, forças poderosas, articuladas em torno de grandes grupos de mídia, financistas, setores do judiciário e aparado de segurança, que vêem no capitão do exército se não um perfil de líder, pelo menos um dique para barrar a volta da esquerda ao comando dos rumos do país.