Tensão fundiária pode deixar Lula de mãos atadas - WSCOM

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Brasil & Mundo

10/03/2006


Tensão fundiária pode deixar Lula

Produtores rurais criticaram na quinta-feira a onda de ações dos sem-terra, num conflito que pode deixar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de mãos atadas no período eleitoral.

“Esses ataques bárbaros não são só contra a propriedade privada, mas também contra o país, eles abalam a democracia”, disse Rodolfo Tavares, vice-presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), a jornalistas.

“Não podemos permitir essa ameaça permanente ao nosso patrimônio e a nossas vidas por um pequeno grupo que está monopolizando a violência”, afirmou.

Milhares de manifestantes sem-terra ocuparam dezenas de fazendas em pelo menos oito Estados desde o fim-de-semana, exigindo que o governo acelere a distribuição de terras para a reforma agrária. Eles prometem mais ações nos próximos meses.

No Rio Grande do Sul, mais de mil ativistas, a maioria mulheres, depredaram na quarta-feira três galpões onde a Aracruz plantava mudas de madeira para a produção de papel e celulose. Os sem-terra destruíram 1 milhão de mudas de eucalipto e parte do laboratório de pesquisas da empresa.

A companhia disse ter perdido milhões de dólares em material genético que levou 15 anos para ser desenvolvido.

Os dezenas de milhares de agricultores que esperam um lote de terra representam um eleitorado importante para Lula, que disputa a reeleição em outubro. Mas o presidente também precisa da confiança dos grandes investidores para obter crescimento econômico.

Tavares pediu ao governo que evite uma maior deterioração no ambiente financeiro do Brasil e a consequente perda de empregos. “Não estamos em guerra, confiamos no Judiciário, na polícia e, em última instância, nas Forças Armadas para garantir a ordem pública”, disse o dirigente ruralista.

A agricultura representa quase um terço do PIB brasileiro, e o país se tornou um dos maiores exportadores mundiais de produtos agrícolas.

O governo Lula diz ter acelerado a distribuição de terras desde 2003, mas o MST, maior organização de sem-terra do país, diz que os assentamentos estão bem aquém das metas oficiais.

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, disse em nota que a luta pela reforma agrária no Brasil nada tem a ver com “atos isolados de violência inaceitável”.

A onda de ocupações deste ano coincide com um congresso da ONU sobre reforma agrária em Porto Alegre.

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