Tanques entram em cidade e repressão se acentua na Síria - WSCOM

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Internacional

25/04/2011


Tanques entram em cidade da Síria

Repressão

Foto: autor desconhecido.

Forças de segurança e do Exército sírio realizam operações nesta segunda-feira (25) em ao menos duas localidades do país, incluindo a cidade fronteiriça de Deraa, onde os protestos contra o governo do presidente Bashar Assad – há 11 anos no poder ¬– iniciaram.

A agência de notícias EFE informou que a operação causou vários mortos, segundo ativistas da oposição e de organizações humanitárias.

O ativista de direitos humanos Haizam Maleh disse à agência por telefone que só pôde confirmar que os ataques começaram ontem à noite, mas acrescentou que não dispunha de informação precisa sobre detidos e vítimas.

A rede informativa da oposição ShaamNews informou que na localidade de Deraa houve ao menos 20 mortos, uma informação que não pôde ser corroborada em outras fontes por causa das dificuldades para contatá-las.

Imagens de vídeo divulgadas por esta rede, supostamente feitas nesta segunda-feira e cuja autenticidade não pôde ser confirmada, mostram tanques desdobrados nas ruas de Deraa fazendo disparos esporádicos a alvos desconhecidos. O autor de uma das imagens não quis se identificar.

– Somos o povo de Deraa.

As cenas foram descritas pela agência EFE e também veiculadas na rede de TV americana CNN.

Tanto Deraa, perto da fronteira com a Jordânia, como Duma, uma localidade aos arredores de Damasco, foram palco nas últimas semanas de uma dura repressão de protestos da oposição que causaram dezenas de mortos.

Ativistas de direitos humanos consultados pela rede Al Jazeera disseram que a operação em Duma foi realizada por forças de segurança e homens armados leais ao regime de Assad, e assinalou que houve vários feridos. A mesma fonte disse que todas as comunicações por telefone com Duma estão interrompidas.

O regime alega que combate uma “insurreição armada” e que as pessoas não têm mais razões para manifestar após a revogação da lei de emergência, que ocorreu na última semana. Após o ato, mais de cem manifestantes morreram vitimados por disparos durante protestos pacíficos no país.

ONG pede investigação internacional sobre ação contra manifestantes

A ONU deve realizar uma investigação internacional sobre os disparos mortais efetuados por forças de segurança sírias contra manifestantes pacíficos em 14 localidades no último sábado (23) e outras violações dos direitos humanos, segundo a Human Rights Watch (HRW).

Os Estados Unidos e a União Europeia (UE) "deveriam também impor sanções às autoridades sírias que tenham ordenado a utilização da força mortífera contra manifestantes pacíficos, assim como a detenção arbitrária e a tortura de centenas de participantes dos protestos", diz a ONG em comunicado divulgado nas últimas horas em seu site.

A organização também pede a EUA e UE que exijam uma reunião urgente do Conselho de Segurança das Nações Unidas para discutir as medidas a tomar frente à escalada de violência na Síria, em particular na última sexta-feira (22).

Em tal dia, segundo a ONG, as forças de segurança sírias mataram pelo menos 76 pessoas, embora o número poderia chegar a 112 segundo as listas de militantes sírios de direitos humanos.

Segundo testemunhos recolhidos pela organização, as forças de segurança abriram fogo contra os manifestantes sem adverti-los em quatro cidades (Homs, Ezra, Duma e Madamiya).

Neste domingo (24), voltaram a disparar durante alguns funerais efetuados em Barza, Duma e Ezra, matando ao menos outras 12 pessoas, segundo os meios de comunicação.

Joe Stork, diretor-adjunto da seção do Oriente Médio e do norte da África da Human Rights Watch, disse que a simples condenação aos atos já não basta.

– Após o açougue da sexta-feira já não é suficiente condenar a violência. Frente à estratégia das autoridades sírias que se resume em disparar para matar, a comunidade internacional deve impor sanções a qualquer indivíduo que tenha dado ou aprovado tais ordens.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o presidente do Parlamento europeu, Jerzy Buzek, denunciaram fortemente a brutal repressão das forças sírias na última sexta-feira e pediram às autoridades desse país que deixem de recorrer à violência contra os manifestantes.

Milhares de pessoas se manifestam na Síria desde março contra o regime de Assad, que reprimiu com dureza os protestos e anunciou algumas reformas políticas, consideradas insuficientes pela oposição.

O atual presidente sucedeu seu pai em 2000, mas seu partido, o Baath está no poder na Síria desde o golpe de Estado de 1963.

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