Suzane Richthofen e irmãos Cravinhos já aguardam júri no fórum da Barra Funda - WSCOM

menu

Brasil & Mundo

05/06/2006


Suzane Richthofen e irmãos Cravinhos

Suzane von Richthofen chegou por volta das 11h30 desta segunda-feira (5/6) ao fórum criminal da Barra Funda (zona Oeste da capital), para ser julgada pela morte dos pais, Manfred e Marísia, em outubro de 2002. Ela vai a júri ao lado dos irmãos Cristian e Daniel Cravinhos, que aguardam na carceragem do fórum desde as 10h20.

O julgamento, que pode durar de três a cinco dias, está previsto para as 13h, quando Suzane verá os Cravinhos pela primeira vez desde que os três foram presos.

Suzane deixou o apartamento de seu tutor, Denivaldo Barni, no extremo oeste da cidade, por volta das 11h. Na quinta-feira passada, os irmãos tinham sido transferidos da Penitenciária de Itirapina, no interior de São Paulo, para o CDP de Pinheiros, de modo a facilitar a locomoção para o fórum.

Pouco antes das 12h, as 80 pessoas sorteadas pelo Tribunal de Justiça de São Paulo para assistir ao júri aguardavam a entrada em uma fila na praça localizada na frente do fórum. A advogada Nicole Kajan Golia disse que faltou ao trabalho para assistir ao júri. “É uma vergonha o que aconteceu, esperamos que todos sejam condenados.”

O vigia Anderson Lira de Andrade, 24 anos, uma das poucas pessoas que não vão acompanhar o júri e que estão no local, levava uma bandeira do Brasil, com a inscrição “Justiça”, em vez de “Ordem e Progresso”. “Quero que seja feita justiça, que todos vão para a cadeia”, afirmou.

Desde as primeiras horas da manhã, a imprensa se movimenta no fórum da Barra Funda. É esperada a presença de pelo menos 49 veículos de comunicação que se inscreveram para a cobertura, mas apenas 30 jornalistas terão acesso ao plenário. No entanto, por decisão do desembargador Damião Cogan, da 5ª Câmara Criminal do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), confirmada no domingo pelo ministro Nilson Naves do STJ (Superior Tribunal de Justiça), não será permitida a transmissão do julgamento.

Ao chegar ao fórum, o promotor Roberto Tardelli, principal responsável pela acusação, disse esperar que o julgamento não seja separado e que tanto Suzane como os irmãos Cravinhos sejam julgados a partir de hoje. A estratégia da defesa de Suzane é separar o julgamento, de modo que ela só fosse a júri no dia 17 de julho (leia abaixo).

Tardelli disse ainda que venceria hoje o período da prisão domiciliar de Suzane, concedido pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) e que ele espera o retorno dela para o Centro de Ressocialização de Rio Claro, de onde ela saiu na segunda-feira passada. No entanto, em sua decisão o ministro Nilson Naves, do STJ, não especificou prazo para a prisão domiciliar.

Desmembramento

A defesa de Suzane quer o júri seja realizado apenas para os irmãos Cravinhos, deixando o júri de Suzane para o dia 17 de julho. Para isso, vão tentar desmembrar o julgamento.

De acordo com o advogado de Suzane, Mário de Oliveira Filho, a estratégia da defesa consiste em abrir divergência na hora da escolha dos jurados. “Quando a defesa dos Cravinhos escolher o jurado, eu voto exatamente o oposto deles. Feito isso, está automaticamente cindido o julgamento”, afirma. “Então o promotor escolhe se deve julgar primeiro a Suzane ou os Cravinhos.”

O promotor Nadir de Campos Júnior, que atuará ao lado de Roberto Tardelli na acusação, diz que tem como evitar o desmembramento e que, se não puder fazê-lo, o Ministério Público vai optar por julgar Suzane antes. “Todos estão, tecnicamente, presos, não há porque julgar antes os irmãos Cravinhos.”