Suposto acordo para abafar investigações gera conflito na CPI dos Correios - WSCOM

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Brasil & Mundo

04/08/2005


Suposto acordo para abafar investigações

Os integrantes da CPI mista dos Correios travaram hoje a maior das discussões políticas desde que foram iniciados os trabalhos da comissão.

A sessão estava marcada para votar requerimentos de consenso e ouvir o depoimento do policial David Rodrigues Alves, responsável por saques de recursos das contas do empresário Marcos Valério, repassados posteriormente para a sócia do publicitário Duda Mendonça, Zilmar Fernandes da Silveira.

No entanto, uma declaração da deputada Denise Frossard (PPS-RJ) de que haveria um acordo entre PSDB, PFL e PT para abafar as investigações gerou uma sucessão de embates políticos.

A deputada criticava o depoimento de hoje de David Rodrigues, a quem chamou de “carregador de malas”, e a proposta de que uma sindicância fosse a Portugal investigar a viagem de Valério e do ex-tesoureiro do PTB Emerson Palmieri para supostamente negociar a captação de recursos para o pagamento de dívidas de campanha. “A CPI está indo para o buraco. O cheiro de pizza está fedendo na sociedade porque há um grande acordo entre PT, PSDB e PFL”, afirmou.

De imediato, o presidente da CPI, Delcidio Amaral (PT-MS), criticou a declaração da deputada. “Eu rejeito essas declarações. Não há acordão, não haverá acordão nenhum. Essa não é uma CPI chapa branca”, afirmou. Parlamentares do PFL e PSDB criticaram duramente a postura da deputada e rejeitaram a declaração de que haveria um “acordão”.

Depois da seqüência de discursos em tom elevado, a deputada retomou a palavra para dizer que, ouvidos os argumentos do presidente da CPI e de deputados do PFL e PSDB, estava “mais tranqüila” de que um acordo não seria fechado.

Porém, a confusão continuou com novas personagens. A senadora Ideli Salvatti (PT-SC) criticou a postura dos oposicionistas de convocarem a sócia de Duda Mendonça, publicitário responsável pela campanha eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para depor e não chamar outras empresas de publicidade que trabalharam com candidatos do PSDB e PFL.

Ela citou nominalmente o prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), que teria, em sua campanha, usado os serviços da agência Intertrade, mas não teria prestado as contas para o TRE (Tribunal Regional Eleitoral).

A revolta da senadora foi alimentada por um requerimento apresentado pelo senador Sérgio Guerra (PSDB-PE) para que ela deponha à CPI sob o argumento de que o PT de Santa Catarina teria recebido recursos das contas de Marcos Valério, conforme aparece na lista apresentada à Procuradoria Geral da República. “Só posso interpretar esse requerimento como terrorismo, como chantagem”, afirmou a senadora.

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