Sonnen reverencia McGregor, diz sentir falta do Brasil e defende Spider - WSCOM

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26/04/2017


Sonnen reverencia McGregor

E DEFENDE SPIDER

Foto: autor desconhecido.

Chael Sonnen nunca foi um lutador brilhante, mas sua carreira lhe dá status de estrela. Acima de tudo, teve muita inteligência. Percebeu que tinha facilidade para a arte do "trash talk", e não só a dominou, como a aperfeiçoou. Construiu um personagem e fez muito sucesso com ele. A partir das provocações, passou a ser um grande vendedor de lutas e disputou três vezes o cinturão do UFC – perdeu duas vezes para Anderson Silva e uma para Jon Jones. Mas o que você verá nesta entrevista exclusiva é uma versão diferente do lutador americano. Chael Sonnen falou como o verdadeiro Chael Sonnen. Com sinceridade (assista ao vídeo acima).

É um Sonnen que sente falta do período que passou no Brasil, quando foi técnico do "The Ultimate Fighter", e que defende Anderson Silva de quem o considera acabado, bem diferente daquele que ofendia a população brasileira para provocar o Spider. É um Sonnen humilde, que não se considera o rei do trash talk. Segundo ele, essa discussão deveria considerar Conor McGregor e Rampage Jackson. E por falar no irlandês, principal estrela do MMA na atualidade, na opinião de Chael ele é também o número 1 peso por peso.

De todas as rivalidades criadas, uma é de verdade. O americano admite que não gosta nem um pouco de Wanderlei Silva e que um deixa o outro louco. Os dois, que chegaram às vias de fato no TUF Brasil 3, enfim vão se enfrentar dentro da jaula na luta principal do Bellator 180, dia 24 de junho, no Madison Square Garden, em Nova York. E, de acordo com o próprio Bellator, podem até fazer uma revanche no Brasil, ainda em 2017, dependendo do resultado do primeiro duelo.

A seguir, veja a entrevista com Chael Sonnen na íntegra.

Combate.com: Primeiramente é um prazer tê-lo conosco, obrigado. Como você está se sentindo no Bellator? Foi uma grande mudança, você esteve no UFC por muitos anos, e agora que voltou a lutar, veio para o Bellator. Como estão as coisas na empresa?
Chael Sonnen: Eu amo o Bellator, cara. Eu amo o MMA. Nunca tive uma experiência ruim no MMA. Estive em algumas empresas, como o WEC, lembra? Uma empresa chamada Bodog, e aí fui para o topo, Bellator e UFC. Mas quando você fala em topo, fala em mais organização, em pessoas que são mais organizadas e comandam com mais jeito. Apesar disso, o esporte é o esporte, treino é treino, viagem é viagem, competir é competir. Há muitas semelhanças. Me perguntam muito sobre a diferença entre Bellator e UFC. É uma pergunta muito difícil de responder, porque há muitas semelhanças e não há muitas diferenças.

Entrevistei o presidente do Bellator, Scott Coker, e na opinião dele o evento já está competindo com o UFC. Você acha que existe essa real competição?
Sim, em termos de negócios, definitivamente sim. O UFC têm alguns bons parceiros. Mas se você checar os preços das ações, eles não estão nem perto da Viacom (conglomerado de mídia que é dona do Bellator). Tudo depende de como você olha para isso. Na minha opinião, é uma competição amigável. Nunca senti um querendo puxar o tapete do outro. Estive em outras organizações, onde isso acontecia. Se quer dizer que há competição, está bem, e acho que é pela liderança.
Eu e Wanderlei nunca nos demos bem. Sempre batemos cabeça. Ele me deixa louco, e eu o deixo louco. É assim que as coisas são. Então, sim, é uma luta pessoal"
Chael Sonnen
Por que lutadores como você, Wanderlei Silva e Rory MacDonald estão indo para o Bellator em vez do UFC?
Não sei se há de fato uma razão. Os lutadores ficam "trancados" no MMA. Não é como no boxe, onde podem fazer copromoções. No MMA você tem que escolher uma organização. Alguns desses caras ficam indo e vindo. Veja o Rampage Jackson, ele tem ido e vindo. Não sei se há uma grande razão para isso. Alguns caras ficam mais felizes com seus contratos no Bellator. Outros estão mais felizes no UFC. Hector Lombard, por exemplo, foi para lá. Alguns vieram para cá. Mas isso tem que ser perguntado a eles.

A luta entre você e Wanderlei já foi marcada antes. Acha que desta vez ela irá acontecer?
Sim, acho que sim. Wanderlei tinha um problema com sua licença para lutar, não sei como está isso, mas acho que ele estará liberado em maio. Esse foi o único motivo que nos deixou afastados, nós dois perdemos nossas licenças em algum momento (ambos tiveram problemas com o antidoping). Não foi uma questão de a organização não conseguir acertar a luta. Nós poderíamos aceitar, mas precisávamos de nossas licenças para voltar. Então, pelo que me disseram, o Wanderlei está bem.

Para você essa luta é pessoal?
Sim. Todas as lutas são pessoais. Dizem que não deveriam ser pessoais, mas isso é ridículo. Não consigo pensar em algo mais pessoal do que uma competição um contra um. É uma batalha. E ainda tem o fato de que eu e Wanderlei nunca nos demos bem. Sempre batemos cabeça. No lado pessoal ele me deixa louco, e eu o deixo louco. É assim que as coisas são. Então, sim, é uma luta pessoal.

Claro que depende de como será a primeira luta, mas Scott Coker disse que planeja uma revanche entre vocês no Brasil, talvez neste ano. O que acha disso? Como se sentiria?
Seria incrível. Você é o primeiro a me dizer isso. Eu adoraria enfrentá-lo algumas vezes. É preciso que entendam que tenho a obrigação moral de bater em vários caras. Eu achei que já tinha cumprido meus objetivos, que estava na transição para voltar a ser apenas um fã do esporte, o que eu era antes da minha carreira começar. Estava seguindo isso, mas hoje em dia esses caras são tão covardes… Assisto a um esporte de falsos durões, um depois do outro. Alguns deles não batem peso. Outros são retirados de cards porque o braço dói, porque o ombro dói. Não consigo entender isso. Não faço ideia do que é deixar de fazer uma luta por isso. Me traria vergonha, é algo que eu jamais faria. Mas também venho de uma era de caras realmente durões, não esses falsos de hoje em dia. E eu não gosto do Wanderlei, não quero fazer elogios a ele, mas ele é um cara realmente casca-grossa. O esporte hoje está cheio desses "artistas marciais", nem sei o que isso significa. Mas vejo esses caras de roupão, indo para o ringue e falando sobre honra. Eu sou um lutador de jaula, e o Wanderlei também é. Existe uma grande diferença.
É uma experiência única, difícil de descrever. Posso dizer que passei um ótimo período no Brasil, sinto falta de lá, sinto tremenda falta do pessoal. Gostaria de ainda estar lá"
Sonnen, sobre o TUF Brasil 3
Deixando de lado o que aconteceu entre você e Wanderlei no The Ultimate Fighter, você fez um grande trabalho como técnico. Acha que os brasileiros mudaram um pouco a opinião em relação a você?
Não tenho certeza. Tive uma ótima experiência lá. Fui treinador duas vezes do TUF, e estão entre as melhores experiências que já tive no esporte, por conta dos relacionamentos que você constrói. Não somente com meu time, mas também com o time do Wanderlei e os outros treinadores dele. É uma experiência única, difícil de descrever. Posso dizer que passei um ótimo período no Brasil, sinto falta de lá, sinto tremenda falta do pessoal. Gostaria de ainda estar lá.

Então você gostaria de ir ao Brasil para enfrentar o Wanderlei, se houver essa revanche?
Sim, seria ótimo. Eu iria ao Brasil para enfrentar qualquer um.

Você enfrentou o Anderson Silva duas vezes no melhor da forma dele, e creio que no seu próprio auge também. As últimas performances dele não foram muito boas. Acha que o Anderson acabou?
Não, não acho que ele esteja acabado. Também não sei se as últimas performances dele foram ruins. Ele lutou contra Daniel Cormier, ele não ganharia aquela luta, ninguém ganharia. E não foi na categoria de peso dele. Quando voltou para sua categoria, ele venceu. Acabou de ganhar do Derek Brunson. Não, não, não, ele não está acabado.

Qual foi a maior vitória da sua carreira?
Sou um cara de performance, não de resultado. Quando vou me deitar à noite, penso em como foi a performance. Às vezes sua mão é levantada, outras não. Se eu levo minhas habilidades e consigo competir do jeito certo, então me sinto bem sobre isso. Minha melhor performance foi na luta que fiz contra o japonês Yushin Okami (no UFC 109, em 2010), que virou um grande amigo meu. Venci aquela luta, mas senti que a performance foi muito boa. Aquele foi um dos momentos de maior orgulho para mim, foi a performance que tentei repetir desde então. É difícil, todo mundo tem sua melhor performance, a pior performance, e essa é a que considero a minha melhor.

Sobre o seu futuro, pretende continuar lutando por quanto tempo mais?
Os caras nos quais me espelhei, os que admiro, Randy Couture, Dan Henderson, Matt Lindland… Randy Couture fez sua última luta aos 47 anos, Dan Henderson aos 46. Acho que essas são ótimas metas. E acho que é um grande sinal de sucesso conseguir estender sua carreira, o mais longe que vai sua carreira é uma vitória. Eu gostaria de fazer isso, mas teria de ser em alto nível. Não quero somente participar. Também respeito quem vai para participar. Mas realmente acho que o Bellator e o UFC, que você mencionou, estão buscando candidatos ao cinturão. Se você não pode ser, se seu tempo chegou e você não pode ser campeão, eu pessoalmente analisaria bem e chegaria à conclusão de que é hora de parar.
Há duas lutas que preciso fazer, ou então minha carreira não estará completa: Wanderlei Silva e Vitor Belfort. (…) E claro que o Tito. O Tito é péssimo, e eu perdi para ele, o que significa que sou péssimo"
Chael Sonnen
Em todos esses anos da sua carreira, houve algum lutador que você queria muito enfrentar e a luta não aconteceu?
Há duas lutas que preciso fazer, ou então minha carreira não estará completa: Wanderlei Silva e Vitor Belfort. Me disseram isso. O Jon Anik, comentarista do UFC, me disse isso. Quando ele disse, eu concordei. E sempre acreditei nisso desde o dia em que ele me disse isso. Ele está certo. São esses dois caras que eu gostaria de enfrentar. E claro que o Tito. O Tito é péssimo, e eu perdi para ele (foi finalizado no Bellator 170), o que significa que sou péssimo. Você fica com o que o cara tem. Se o cara é campeão, você fica com o título. Mas há o outro lado também. Tito é o pior lutador que já enfrentei em toda a minha história no MMA. Enfrentei campeões, membros do Hall da Fama. Peguei durezas. Ele não é um adversário duro, ele é péssimo. E ele venceu, o que é difícil para mim. Então, essa é uma luta que eu gostaria de fazer de novo, se puder.

Quem você acha que é o lutador número 1 peso por peso hoje? Seria o Conor McGregor?
Ah, definitivamente. Eu gosto desse assunto, porque gosto da discussão que ele gera. Jon Jones tem de ser considerado, mas ele é meio-pesado. Essa divisão é muito fraca. É a divisão de peso mais marcante, e foi assim desde o início. Eu poderia encarar caras como Tito Ortiz, Chuck Liddell, Randy Couture. Os caras hoje são ruins, mas o Jones é o melhor. Ele tem de ser considerado, mas quando falamos de peso por peso, acho que o número 1 tem que ser o Conor. As duas divisões de peso mais duras do esporte são a dos penas e a dos leves. Ele venceu as duas, e ao mesmo tempo. Ele disse que faria e fez. Pela minha experiência… Eu ou lutei contra todo mundo ou treinei com todo mundo, e não é uma comunidade imensa. Acho que o melhor é Georges St-Pierre, mas no papel, e o papel importa, é o Conor.
Conor McGregor e Chael Sonnen (Foto: Reprodução)

O Conor sabe como falar e vender lutas. Acha que ele aprendeu algo contigo?
Acho que o Conor faz muito bem o entretenimento. Me perguntam o tempo todo quem é melhor: eu ou Conor? Tive que fazer essa pergunta a ele uma vez, quando estávamos e um programa de TV. Eu não queria, pois achava que seria desconfortável, mas me fizeram perguntar. Conor me elogiou e então disse: "Os números não mentem. E ninguém chega nos número de McGregor". É muito difícil discutir com isso. Eu conquistei todos os recordes, quatro dígitos, fosse na televisão aberta ou no pay per view. Eu tive todos eles. E perdi todos eles para o Conor. Eu argumento que só perdi porque deixei o esporte. Se nunca tivesse saído, ele não teria chegado nesses números. Já lutamos no mesmo card, eu fui a atração principal, ele lutou mais cedo (no UFC realizado em Boston, em 2013, Sonnen finalizou Maurício Shogun na luta principal, e McGregor derrotou Max Holloway no card preliminar). Muitos fazem essa comparação e me perguntam. Quem é o melhor entre mim e o Conor. Mas sempre digo que deixam alguém de fora. Sempre achei que o Rampage deveria ser considerado. Particularmente acho o Conor o que mais entretém entre nós três. Mas acho que o Rampage é o segundo. As entrevistas dele, o personagem, o carisma. Eu estava na arena quando ele enfrentou o King Mo (no Bellator 175). Você não acredita no barulho daquela arena quando as luzes se apagaram e as correntes apareceram. Aí ele vem com aquelas correntes, com uma cara de louco. Ele sabe promover uma entrada. Sempre achei que ele deveria estar no meio dessa conversa, talvez entre Conor e Rampage e me deixando fora.
Sempre digo que deixam alguém de fora. Sempre achei que o Rampage deveria ser considerado. Particularmente acho o Conor o que mais entretém entre nós três. Mas acho que o Rampage é o segundo
Sonnen, sobre os reis do trash talk
O Vitor Belfort pede que seja criada uma liga das lendas, para ex-lutadores poderem competir entre eles. O que você acha disso?
Eu não gostaria de fazer parte disso. Ou você compete em alto nível, ou não compete. Me lembro de quando eu era jovem no esporte e ficava magoado por causa de alguns desses caras mais velhos, porque eles eram péssimos e estavam ocupando espaço, tirando vaga que poderia ser minha. Eu e Wanderlei tivemos caminhos diferentes no começo por causa disso. Ele era um desses caras, estava no topo no Japão, e eu estava em casa no meu sofá, vendo pela televisão porque não conseguia uma oportunidade. E eu sabia o tempo todo que poderia vencê-lo. Sabia que poderia vencer o Wanderlei e qualquer outro do card. É difícil quando esses jovens surgem em alto nível, representando a próxima geração. Vão fazer o esporte e a empresa andarem pra frente. Você tem que sair do caminho deles. Você luta por seu espaço. Ou é bom o suficiente para estar no topo, ou não é. Quando o Vitor fala sobre a liga das lendas, haveria certo divertimento. Eu adoro ver o Vitor lutar. No entanto, se você está admitindo que não é mais um candidato ao cinturão, acho que você precisa sair de cena.

Para finalizar: o que aconteceu no Aprendiz (saiba mais)?
Eu roubei a cena. Você me viu cortando o cabo? Foi brilhante, não foi? Eu salvei o time, eles não tiveram gratidão e mandaram o Chael para casa. O que você acha disso? Que oportunidade desperdiçada por eles… Foi a maior audiência do ano, e eles me mandaram embora. Foi um grande erro por parte da produção.