Sócio de Valério diz que assinava "pilhas de cheques" sem destinatário - WSCOM

menu

Brasil & Mundo

10/08/2005


Sócio de Valério diz que

O publicitário Cristiano de Melo Paz afirmou nesta quarta-feira que assinava cheques sem ter conhecimento do destinatário como voto de confiança ao seu sócio na agência SMPB, o empresário Marcos Valério de Souza, acusado de ser um dos operadores do suposto esquema do PT de repasse de verbas a parlamentares da base aliada.

“Chegavam muitos cheques para eu assinar, era uma pilha enorme. Vinha apenas como ‘conta PT’, mas não era nominais a ninguém, não tinha nenhum nome de deputado. Eu assinava sem questionar”, disse Paz em depoimento dado à sessão conjunta das CPIs dos Correios e da Compra de Votos.

O publicitário disse que tinha a garantia de Marcos Valério de que os recursos seriam pagos pelo partido. “Eu só assinei os cheques porque me disseram que o partido pagaria tudo. O Marcos Valério me dizia: ‘Esse assunto está comigo, tudo vai ser pago pelo partido’.

Paz garantiu que tomou conhecimento do real destino do dinheiro através da divulgação dos desdobramentos do inquérito parlamentar. Ele negou qualquer envolvimento com o esquema e disse desconhecer os detalhes da contabilidade da SMPB, inclusive o valor total dos repasses que chegaria a cerca de 56 milhões de reais.

“Eu nunca tratei desse assunto ou de qualquer outro assunto com a contabilidade. Eu cuido da parte de criação da agência”, afirmou. Ao ser questionado se Marcos Valério tinha ascendência sobre outros sócios da empresa, Paz respondeu: “Sobre a área financeira e administrativa, tinha sim.”

Lista polêmica

As declarações de que a CPI da Compra de Votos teria uma lista com supostos novos beneficiários de Marcos Valério nas eleições de 1998 causou polêmica, confusão e a suspensão da sessão conjunta por duas vezes.

O depoimento de Paz começou com quase duas horas de atraso. A confusão começou após o vice-presidente da CPI da Compra de Votos, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), dizer que teria recebido uma lista sem comprovação diferente da divulgada na terça-feira, que continha 79 beneficiários de repasse de recursos na campanha de 1998 em Minas Gerais.

Após várias requisições e tumulto, Pimenta esclareceu que a lista não foi entregue pela assessoria jurídica de Valério, mas circulou durante a sessão de terça-feira entre os parlamentares da CPI da Compra de Votos. Como houve alterações das versões dadas pelo deputado, os membros das duas Comissões passaram a questionar a conduta do vice-presidente e a validade da lista.

O deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP) afirmou que qualquer julgamento sobre a conduta de Pimenta não deve ser feita pela sessão conjunta. “Isso foge ao escopo do que foi convocada essa reunião, ou seja, a oitiva do senhor Cristiano Paz”, afirmou Cardozo.

Após um cruzamento de dados com os documento em posse da CPI dos Correios, concluiu-se que a lista não é a mesma que estava anexada a um processo do Supremo Tribunal Federal. O relator da CPI da Compra de Votos, deputado Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG), confirmou que os nomes não serão levados em conta na investigação.

“São listas diferentes a tal lista não tem origem, não tem responsável e não será levada em conta pelo relator. Esse dado não é possível receber como válido porque é sem origem”, afirmou Abi-Ackel.

Notícias relacionadas