Sobrevivente de 2002, Lúcio contraria história e deixa zaga sem líder - WSCOM

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05/06/2006


Sobrevivente de 2002, Lúcio contraria

Ele é o único zagueiro convocado por Carlos Alberto Parreira que sabe qual é a sensação de jogar uma Copa do Mundo. Mas Lúcio deixa sua timidez fora de campo vencer o estilo voluntarioso apresentado no gramado quando o assunto é servir como referência para seus colegas de setor.

Entre desarmes, alguns sustos e as cada vez mais freqüentes subidas ao ataque, Lúcio deixa claro que não almeja estender seu papel além do que a função já exige. “Acredito que esse não é o meu objetivo, quero apenas fazer o meu melhor dentro de campo e ajudar a seleção”, afirmou o zagueiro.

Nem mesmo a transformação que parece sofrer quando deixa de ser um cidadão de fala baixa e acanhada para se tornar um jogador de estilo agressivo faz Lúcio se sentir apto a assumir a condição de líder da zaga em 2006.

“Acho que isso aí (mudança de comportamento quando entra em campo) é algo que vem desde o início da minha carreira. Fora de campo sou mais tímido, mas dentro faço o máximo para ajudar”, comentou o jogador do Bayern de Munique (ALE).

Apesar da carência de voz ativa em 2006, a zaga historicamente oferece líderes natos ao Brasil em Copas do Mundo. Se na Alemanha ninguém se dispõe a assumir o papel que coube a Roque Jr em 2002, em Mundiais anteriores houve ocasiões nas quais apenas defensores portavam a tarja de capitão.

Na mesma Alemanha, em 1974, os parceiros de zaga Luis Pereira e Marinho Peres chegaram a usar a tarja após Piazza sair do time. O volante do Cruzeiro, inclusive, jogou como zagueiro no Mundial do México, quatro anos antes.

Mais emblemático ainda são os papéis desempenhados por zagueiros nos primeiros títulos mundiais do Brasil. Em 1958, o central Bellini era o capitão e eternizou o gesto de levantar o troféu Jules Rimet. Quatro anos depois, foi a vez de Mauro exercer a função. Um dos primeiros líderes do Brasil foi Domingos da Guia, zagueiro que brilhou em 1938.

E uma postura sindical dos zagueiros viria a calhar neste momento para a classe. Até mesmo pelo bem da seleção, já que Lúcio, Juan, Luisão e Cris irão lidar com uma das formações mais ofensivas da seleção na história recente das Copas.

Cafu e Roberto Carlos podem apoiar menos, Emerson e Zé Roberto proteger o meio-campo, mas o time de Carlos Alberto Parreira tem por missão, ao menos nos primeiros jogos, fazer o quarteto Kaká, Ronaldinho, Ronaldo e Adriano funcionar a pleno vapor.

“É uma sobrecarga, mas estamos pronto para fazer nossa parte”, analisou Lúcio, que, ainda assim, pretende tirar sua “casquinha”. “Se tiver oportunidade de ajudar o ataque, vou procurar fazer o meu melhor”, avisou.