Senador Álvaro Dias sugere que Presidência pode ter usado notas frias - WSCOM

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Brasil & Mundo

26/08/2005


Senador Álvaro Dias sugere que

As notas fiscais de despesas referentes ao uso de cartões corporativos, uma espécie de cartão de crédito pago com recursos públicos, repassadas ao TCU (Tribunal de Contas da União), no ano passado podem ser frias. A dúvida sobre a utilização do uso de cartões corporativos levou o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) a pedir ao TCU uma auditoria sobre o assunto.

“Há indícios fortíssimos e comprometedores de mau uso de recursos públicos”, afirmou o senador. “O que tem que se investigar é se não há uma fábrica de notas para justificar despesas”, acrescentou.

A investigação foi feita com base em documentos repassados pela Presidência da República em 2004 e se referem a gastos com material de informática, com reformas de móveis, com gastos pequenos, como compra de utensílios de escritório, e com viagens do ex-ministro da Secom (Secretaria de Comunicação) e chefe de Assuntos Estratégicos da Presidência, Luiz Gushiken.

Uma das empresas que consta da documentação é a FR Comércio Serviço e Representação. Duas notas, especialmente, chamam a atenção: a primeira data de 23 de junho de 2004 no valor de R$ 732 para a compra de seis cartuchos de tinha colorida para impressora; a segunda compra foi feita no dia seguinte no mesmo valor.

As notas estão inclusive com número de séries sucessivos (1758 e 1759).

A empresa fica a 30 quilômetros do Palácio do Planalto, sendo que há lojas especializadas no Setor de Indústrias Gráficas a cerca de 5.

A suspeita sobre a veracidade da operação aumenta quando o próprio dono da empresa, Francisco Ramalho, admite que passou a nota para “um amigo”, chamado Edmilson, que não era seu sócio. Esse amigo, com quem trabalharia “em parceria”, repassaria os documentos para a presidência da República. ‘Eu fornecia nota’, disse. Em troca, cobrava apenas o imposto cobrado da operação. “Eu não vendia nota, nunca vendi nota”, completou.

Inicialmente, de acordo com informações do Tribunal, serão apurados os dados da Casa Civil e da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), responsáveis por 54% das despesas efetuadas. Depois, outros 68 órgãos públicos federais passaram pela análise do TCU.

Uma das possíveis explicações para a utilização de notas como essas seria para justificar saques na boca do caixa. No relatório do TCU do ano passado, os técnicos do Tribunal fizeram um alerta justamente a “realização de saques de recursos com o cartão corporativo”.

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