Segurança tenta manter presidente longe de protestos: veja como foi em Natal e A - WSCOM

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Brasil & Mundo

27/07/2007


Segurança tenta manter presidente longe



Lula é recebido em Natal

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assina às 9 horas de hoje, no Centro de Convenções de Natal, a liberação de R$ 800 milhões para obras de saneamento e drenagem em Natal e outras cidades do Rio Grande do Norte, recursos provenientes do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Lula desembarcou ontem ás 20h30 na base área de Parnamirim e, na companhia dos ministros Márcio Fortes (Cidades) e Dilma Roussef (Gabinete Civil), sob forte aparato de segurança, só chegou às 21h12 no Blue Tree Park, hotel onde ficou hospedado na Via Costeira.

No saguão do hotel, Lula foi cumprimentado durante 15 minutos por turistas e hóspedes. Em seguida, saiu para a suíte presidencial sem falar com quatro jornalistas que o esperavam na entrada do hotel. Hoje, durante a programação no Centro de Convenções, meia hora antes da fala do presidente, a ministra Dilma Roussef concede entrevista aos jornalistas para explicar o cronograma de ação do PAC na região Nordeste, pois antes de Natal, o presidente Lula liberou recursos para saneamento em Aracaju (SE), João Pessoa (PB), enquanto às 14 horas de hoje embarca para Teresina (PI).

Lula e a governadora Wilma de Faria (PSB) assinam convênios nas áreas de saneamento e habitação com o Governo do Estado e prefeituras de Natal, Mossoró e Parnamirim, cidades contempladas com obras do PAC. Depois da solenidade no Centro de Convenções, Lula segue para a base área, onde tem um encontro reservado com o cientista Miguel Nicolelis, idealizador do Instituto de Neurociências a ser instalado em Macaíba. Com isso, fica cancelada a visita que o presidente faria à Escola Escola Alfredo Monteverde, na Cidade da Esperança. Ao fim da audiência com Nicolelis, o presidente almoça com políticos e autoridades na base área de Parnamirim.

Durante sua passagem por João Pessoa, ontem à tarde, Lula discursou para 800 pessoas, no Teatro “Paulo Pontes”, e aproveitou para criticar os seus opositores, afirmando que a classe política precisa ser mais civilizada: “Enquanto a classe dirigente fica brigando pequeno, com mesquinharia, o povo fica sofrendo, o povo fica na expectativa que apareça um milagroso para salvá-lo e não tem”, disse ele sob aplausos.

Lula pregou a necessidade de discernir o momento de fazer oposição e o momento de pensar o País. E reclamou que no Brasil a eleição não termina nunca. “Acabou uma eleição, ela continua, ela é eterna e você pode mandar qualquer projeto, pode ser para melhorar, mas se são contra o governo dizem eu voto contra, eu não voto favorável, não se preocupam sequer em analisar se aquilo vai beneficiar o povo do nosso País”.

O presidente ainda falou sobre a necessidade de se ter políticas públicas justas, de se fazer parcerias, “É preciso que a gente contribua”, independente do partido a que se pertença. “Não quero saber em quem o eleitor votou na eleição de outubro, se em mim ou no adversário”, afirmou.

Organização dos governos estaduais

Ontem, assessores do Palácio Planalto informaram à reportagem da Agência Estado, em Aracaju (SE), que a organização dos lançamentos do “PAC saneamento e habitação” em quatro capitais nordestinas está a cargo dos governos dos estados, com apoio da Secretaria Geral da Presidência.

Os assessores garantiram que não houve nenhuma recomendação especial. Auxiliares do presidente justificaram que “é praxe” a retirada de mensagens contrárias ao governo e justificaram a retirada de faixas dos manifestantes ontem em Aracaju (SE), afirmando que foram os próprios presentes que não concordavam com os atos contra Lula.

O Centro de Convenções de Aracaju estava preparado para receber quatro mil pessoas convidadas, muitas delas funcionárias públicas estaduais e municipais, que foram dispensadas do trabalho, para comparecerem ao evento. Cerca de 200 integrantes do MST, também foram convidados para a cerimônia, assim como jovens que participam do programa Consórcio social da Juventude, que foram levados em dois ônibus para lá.

Servidores grevistas vaiam em Aracaju

Aracaju – Apesar da blindagem preparada pelo Planalto e pelo governo petista de Sergipe, permitindo que apenas pessoas com convites em mãos, cuidadosamente distribuídos pelos organizadores da cerimônia de lançamento do Programa de Aceleração Econômica, em Aracaju, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi duas vezes vaiado, ontem, por um pequeno grupo de funcionários do Incra, do Ministério da Cultura e estudantes da Universidade Federal de Sergipe, que estão em greve.

As vaias, no entanto, acabaram sendo abafadas pelos aplausos e gritos de “Olê, Olê, Olá, Lula, Lula”, dados principalmente por militantes petistas e do MST, convidados para o evento, que defenderam o presidente e chegaram a desentender com os grevistas. Na cerimônia, os seguranças do Planalto e do evento tomaram ainda a faixa vermelha dos manifestantes que dizia “Lula traidor”.

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, coordenadora do PAC, também foi vaiada pelo menos duas vezes pelos poucos manifestantes contrários ao governo, presentes ao evento. Do lado de fora, estudantes promoviam um apitaço, xingavam o presidente e chegaram a atear fogo num boneco de pano “com barba” e com faixa presidencial que batizaram de Lula. Acostumado a aplausos, Lula deu claras demonstrações de impaciência na cerimônia, olhando o relógio algumas vezes, e chegou a ficar com o olhar perdido enquanto ouvia os discursos que antecediam o seu. Ele já havia ficado muito aborrecido com as seis vaias tomadas no Maracanã, no Rio de Janeiro, no dia 13 de julho, na abertura dos 15º Jogos Panamericanos.

Na época, chegou a se queixar para interlocutores e no programa de rádio café com o presidente. Hoje, apesar de ter preferido ignorar o assunto em seu breve discurso de improviso de 15 minutos – normalmente fala longamente em cerimônias, pelo menos meia hora – Lula chegou a procurar com os olhos onde estavam os manifestantes, quando eles começaram a vaiar a ministra Dilma.

Na semana passada, depois do acidente com o AirBus da TAM, Lula já havia cancelado as viagens que faria ao Sul, onde poderia sofrer outras manifestações, embora o Planalto negue que ele tenha adiado a ida lá por causa disso. O governador Marcelo Déda disse que o presidente “não ficou chateado” ou mesmo se sentiu irritado com as vaias.

Presidente lembra da infância no NE

Em seu discurso ontem no inicio da programação de lançamento do PAC saneamento e habitação, em Aracaju (SE), o presidente Luiz Inácio Lula Silva voltou a lembrar de sua infância pobre e comentou que quando chegou a São Paulo tinha uma barriga enorme “que era puro verme”, doença adquirida por falta de água tratada. Em seguida brincou afirmando que ficou bonito depois de velho. Para ele, é importante investir em saneamento, embora seja obra que político não pode pôr placa com seu nome ou de parente. Citou também que “tem gente” que gostaria que o governo estivesse investindo esse dinheiro em outras coisas “que tivessem mais visibilidade”.

E prosseguiu: “porque, no Brasil, eu volto a repetir, pobre só é lembrado em época de eleição e, em época de eleição pobre é igualzinho a um banqueiro mas, depois das eleições, o pobre é esquecido”. Lula disse que vai pagar o preço que tiver de pagar e que irá “enfrentar os preconceitos que tivermos que enfrentar”. E avisou: “no nosso governo, o pobre vai ser tratado como gente, vai ser tratado com dignidade, as pessoas terão os seus direitos respeitados. É por isso que nós estamos fazendo o investimento de 106 bilhões de reais e, só para saneamento e urbanização, 40 bilhões de reais”. Na cerimônia, a ministra Dilma anunciou a liberação de R$ 401 milhões para saneamento e urbanização de favelas em Sergipe, beneficiando 900 mil pessoas e assegurou que este dinheiro não será contingenciado.

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