'Se quebrei o decoro parlamentar, que provem', diz Dirceu - WSCOM

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Brasil & Mundo

02/08/2005


'Se quebrei o decoro parlamentar,

Em seu primeiro depoimento público depois que saiu da Casa Civil, o deputado federal José Dirceu (PT-SP) negou nesta terça-feira que tenha quebrado o decoro parlamentar. “Se quebrei o decoro parlamentar, que provem”, declarou Dirceu, ao Conselho de Ética da Câmara. Em sua fala, ele negou que envolvimento com o “mensalão”. “Não sou responsável e jamais permitiria a compra de votos por esse governo.”

“Não é verdade que eu seja responsável pelo “mensalão”. Existe uma CPI investigando e quero prestar depoimento”, acrescentou.

O deputado também negou de forma incisiva que vai renunciar, em um momento de fortes boatos no Congresso. “Não vou renunciar. Vou travar mais esta batalha na minha vida”, disse ele.

No conselho, o deputado tentou reforçar seu vínculo com o PT e disse que não precisa de cargos. “Comecei no PT como militante e sou militante até hoje, não preciso de título de ministro nem de diretor do PT para ser militante.”

Dirceu negou que esteja magoado ou ressentido com o presidente Lula e disse que não quer que o governo ou o PT tenham que defendê-lo.

Jefferson

O deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), autor das denúncias sobre o “mensalão”, acompanha o depoimento da primeira fila.

Jefferson foi alvo de várias menções durante o discurso de Dirceu. Em certa altura, o deputado paulista afirma: “ele [Jefferson] quer transferir a prevaricação dele para nós, para o Aldo Rebelo”.

O ex-ministro negou hoje, por meio de sua assessoria, o boato de que iria renunciar ao mandato de deputado durante o depoimento. Cogitava-se a hipótese de Dirceu renunciar para evitar um possível processo de cassação por quebra de decoro.

Durante o depoimento, Dirceu, que se manteve isolado nos últimos dias, deverá ainda incluir na sua estratégia de defesa mais argumentos para se defender das recentes denúncias de que Roberto Marques, seu assessor, teria sido autorizado a fazer saque de R$ 50 mil em uma das contas das empresas do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, apontado como operador do “mensalão”.

No último sábado, a revista “Veja” divulgou cópia de um documento apreendido pela PF em Belo Horizonte (MG) que complicou a situação de Dirceu: uma lista com a relação das pessoas autorizadas a retirar dinheiro da conta de Valério –entre elas, seu assessor Roberto Marques.

Marques negou a acusação e Dirceu divulgou uma nota, na qual diz que a acusação é uma armação para tentar desmoralizá-lo.

“Rival”
A sessão de hoje do Conselho de Ética poderá antecipar uma acareação com o “rival” de Dirceu Roberto Jefferson. Ao denunciar o “mensalão”, o deputado fluminense afirmou que Dirceu seria um dos protagonistas do esquema.

Jefferson poderá pedir a palavra por dez minutos, de acordo com o regimento da Casa. Conhecido pela sua personalidade forte, Dirceu não deverá deixar provocações sem respostas

Dirceu, que assumiu seu mandato de deputado federal, iniciou sua fala fazendo um resumo da sua vida política. Ele lembrou de que em suas duas passagens como deputado federal ele sofreu um processo e foi inocentado. Ao lembrar o período em que esteve na clandestinidade, o deputado afirmou que pode chegar a Cruzeiro do Oeste, no Paraná, onde viveu com um nome falso, “de cabeça erguida”.

Dirceu também distribuiu críticas à imprensa, com especial menção às “reiteradas matérias de uma revista semanal”. Para ele, as denúncias são motivadas “pelo que eu represento, tenho clara consciência disso, pelo que eu represento para a história do país, pelo que eu represento para a história do PT”.

E disse que tomou a decisão de não renunciar porque “não teria condições” e afirmou: “eu quero ter o direito de olhar no olho de cada militante do PT desse país”, numa formulação muito semelhante à utilizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seus discursos.

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