Sarney fala sobre construção da bomba atômica em seu governo - WSCOM

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Brasil & Mundo

08/08/2005


Sarney fala sobre construção da

O senador José Sarney (PMDB-AP) afirmou que, quando assumiu a presidência do Brasil, em 1985, recebeu com surpresa a notícia de que o país trabalhava para ter sua própria bomba atômica. As instalações nucleares ficavam na serra do Cachimbo (oeste do Pará).

A declaração foi exibida neste domingo pelo “Fantástico”, no lançamento da série “Dossiê Brasília: os segredos dos presidentes”. O senador classificou essa informação como algo sigiloso, que jamais poderia ser divulgado na época.

Em agosto de 1986, no entanto, a Folha de S.Paulo publicou uma reportagem da jornalista Elvira Lobato que descrevia a construção, pelas Forças Armadas, desse poço para testes nucleares.

“Esse era um segredo de Estado, não poderia vazar”, afirmou Sarney. Ao descobrir a “herança” da época da ditadura, ele afirma que reagiu com surpresa e preocupação.

“Vivíamos um momento de aproximação com a Argentina e isso era a confirmação de que o país tinha uma política nuclear. Os dois países tinham [essa política], mas negavam.”

Renúncia

O senador também falou sobre um momento em que se sentiu extremamente desprestigiado e pensou em renunciar. “Isso aconteceu quando o congresso quis reduzir o período de mandato para quatro anos [o tempo determinado inicialmente era de seis anos]. Se decidiram isso, é por que não havia confiança no presidente”, disse.

Durante o tempo em que ficou na presidência, um episódio chamou atenção do atual senador: a visita de Yolanda Costa e Silva, viúva do ex-presidente Arthur da Costa e Silva. Ela vivia com a neta, que trabalhava no extinto BNH (Banco Nacional de Habitação), e procurou Sarney por temer que a neta ficasse desempregada.

“Aquela foi uma lição de como o poder é efêmero. Vi aquela senhora, que havia sido primeira dama durante o governo militar, enfrentando esse tipo de problema”, afirma.

Segundo o ex-presidente, seu melhor feito durante o mandato foi a liderança da transição democrática no país. O pior momento, por outro lado, ficou por conta do segundo Plano Cruzado, “uma tragédia”. “Eu paguei caro por ele, e o país também.”

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