Sargento diz que prisão de delegado da PF foi legal; PM abre sindicância mas não - WSCOM

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Policial

30/08/2005


Sargento diz que prisão de

O comandante da Policia Militar do Estado, coronel Lima Irmão, explicou nesta segunda-feira, ao Abra o Jogo, que abriu sindicância para apurar acusação de arbitrariedade cometida por guarnição contra o delegado da Policia Federal, Cláudio Costa, mas não vai expulsar os militares como quer a PF. Já o sargento Ivanildo da Silva afirmou que agiu dentro das regras normais.

– Não podemos expulsar alguém sem garantir o direito de defesa – argumentou o comandante anunciando que “as medidas adotadas não prevêem de imediato a expulsão”.

Ele disse ainda que pediu à Procuradora da Justiça, Janete Ismael, que determine um promotor para acompanhar o caso lembrando também que alguns policiais têm conduta elogiada.

Versão da Policia – No final da tarde, a assessoria do Governo do Estado soltou nota informando que o sargento Ivanildo Ferreira da Silva, que comandou a guarnição da última quinta-feira, diz que, como sempre, procurou agir dentro da lei em sua atividade profissional.

“Em mais uma batida de rotina no bairro de Jaguaribe, abordando indivíduos suspeitos, interceptou um rapaz numa bicicleta”.

A nota diz ainda que “de pronto, segundo ele, o grupo recebeu protestos e “ordens” de um homem não identificado saído de um bar, para que parasse o trabalho”.

– Surpreso com o fato, o sargento conta ter solicitado ao interpelador que se retirasse do local. Visivelmente embriagado, segundo o militar, o indivíduo passou a chamar palavrões e o agrediu. Foi dada voz de prisão ao agressor,

cumprindo-se o que recomenda o Procedimento Operacional Padrão”.

E diz mais: Na 2ª Delegacia Distrital, no centro, ainda com o ânimo alterado, o agressor se identificou como delegado Cláudio Costa, da Polícia Federal, apresentando-se também como capitão reformado da PM.

Costa, segundo o sargento, não quis ouvir os argumentos de que interferiu, irregularmente, na ação legal da corporação à qual serviu durante 11 anos.

Ademais, o preparo profissional dos que comandaram a ação já deixaria clara a opção pelo cumprimento da lei, alerta o militar. Ivanildo Ferreira da Silva observa que tem registrado em sua ficha funcional seu comportamento como Excepcional, significando uma atuação exemplar com pelo menos oito elogios à postura – um status invejável na corporação.

Ele explicou que com esses registros na ficha, nos últimos 10 anos, não recebeu uma repreensão sequer e sempre teve reconhecido pelos superiores o esmero profissional em seu trabalho.

Outra versão – Já o capitão Onivan Elias de Oliveira, comandante do Choque, apresenta no currículo, pelo menos, três cursos nos Estados Unidos, todos na área de gerenciamento de crises: um com o FBI, outro de especialização no Departamento de Amarilo da Swat, no Texas e um terceiro no Condado de Orange, na Flórida.

Em nível de Brasil, Onivan Elias lembra ter feito cursos similares na Polícia Militar do Estado de São Paulo e, de 1998 a 2005, já treinou mais de 4,5 mil policiais da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Exército Agência Brasileira de Inteligência e integrantes das PMs do Pará e do Amapá.

Argumento – Sistematicamente treinados para o trabalho de batidas policiais, os PMs na Paraíba se submetem a um Procedimento Operacional Padrão (POP), que doutrina

a ação das equipes durante as abordagens. Segundo o sargento Ivanildo , o POP foi cumprido à risca.

De acordo com o documento, existem orientações básicas para embarque e desembarque de viaturas; uso do dispositivo luminoso; funções e responsabilidades de cada um; abordagem de veículos; uso escalonado de força e uso de arma de fogo.

No caso do atrito entre a guarnição da PM e o delegado da PF, na semana passada, o item Uso Escalonado de Força foi estritamente aplicado pelos militares, diante da intromissão indevida no trabalho legal executado pela corporação, agressão à autoridade militar e desrespeito à lei.

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