Sandro Mabel diz que dinheiro do PL era caixa dois da campanha de Lula - WSCOM

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Brasil & Mundo

09/08/2005


Sandro Mabel diz que dinheiro

O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sandro Mabel (GO), afirmou que o dinheiro recebido pelo presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, que renunciou ao mandato na semana retrasada, servia para pagar material de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

As dívidas, de acordo com ele, não foram contabilizadas pela campanha petista, que tinha o nome de José Alencar na coligação PT-PL.

Os dados apontados pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza mostram que Costa Neto seria beneficiário de R$ 10,8 milhões sacados das contas da empresa SMPB. Mabel disse que o presidente da legenda confirma o recebimento de R$ 5 milhões ou R$ 6 milhões.

“A campanha que ele pagou foi a do Lula em 2002 porque o vice presidente era do PL. Ele pedia material e o pessoal do PT mandava fazer para acertar depois. E eles acertaram, mas acertaram depois sem colocar na prestação de contas”, afirmou Mabel. “O PT autorizava porque o PL estava na campanha”, acrescentou.

Apesar disso, o deputado do PL preferiu não declarar oficialmente que a campanha do presidente Lula se utilizou da sistemática de caixa dois, em que dívidas de campanha não são contabilizadas nas declarações ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Em seu discurso de renúncia, Costa Neto indicou que os recursos foram usados para a campanha presidencial, mas não deixou explícita a natureza dos gastos.

“Durante a campanha eleitoral de 2002 tive a promessa do Partido dos Trabalhadores de que receberia recursos financeiros para fazer frente às despesas da coligação PT-PL. Sob o signo da nefasta verticalização, formávamos uma aliança partidária que disputava eleições proporcionais e majoritárias, tendo como principal bandeira a conquista da Presidência da República”, afirmou o presidente do PL.

Os parlamentares da oposição suspeitam que os recursos repassados a Zilmar Fernandes da Silveira, sócia de Duda Mendonça, também foram usados para a campanha presidencial. A diretora administrativa-financeira da empresa, Simone Vasconcelos, confirmou que o dinheiro, R$ 15,5 milhões, foi repassado às mãos da sócia de Duda, responsável pela campanha presidencial.

Representação

Mabel pediu hoje ao presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), que remeta o mais rápido possível o processo que pede a cassação de seu mandato de deputado por Goiás ao Conselho de Ética.

A representação, de autoria do PTB, acusa Mabel de ter proposto o ingresso da deputada licenciada Raquel Teixeira (PSDB-GO) no PL mediante o pagamento de R$ 1 milhão. O deputado nega. ‘Não fiz nenhuma proposta financeira”, afirmou.

Severino disse ontem que respeitará a ordem cronológica de apresentação dos documentos. Inicialmente, quatro inquéritos foram repassados ao Conselho de Ética, O processo de Mabel é apenas o oitavo da lista.

De acordo com integrantes do Conselho de Ética, o processo contra Mabel não teria fundamentação jurídica, mesmo argumento que deve ser usado para arquivar as representações feitas pelo PL contra seis deputados do PTB.

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