Rômulo Polari diz que futuro da Paraiba passa pela ciência e tecnologia - WSCOM

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Paraíba

04/03/2018


Rômulo Polari diz que futuro da Paraiba passa pela ciência e tecnologia

"Enfim, falta à sociedade paraibana uma cultura mais voltada à prosperidade econômica e ao bem-estar social"

Foto: autor desconhecido.

O ex-reitor e professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Rômulo Polari, em artigo no Portal WSCOM, destacou o papel da ciência e tecnologia como fundamental para moldar o futuro.

Leia na íntegra:

PARAÍBA: CIÊNCIA E TECNOLOGIA

Rômulo Soares Polari

Ex-Reitor e Professor da UFPB

Educação, ciência e tecnologia, esses são os caminhos confiáveis para o desenvolvimento sustentável da Paraíba. Nesse sentido, urge aproveitar a capacidade das IES (Instituições de Ensino Superior): UFPB, UFCG, UEPB e IFET. Aí temos orçamentos anuais que somam cerca de R$3,0 bilhões e 3.900 professores doutores.

Não se promoverá o desenvolvimento da Paraíba, buscando apenas soluções tradicionais para os velhos problemas. É preciso conceber a problemática paraibana no contexto da globalização e sociedade do conhecimento. É nesse cenário que se deve buscar a reestruturação produtiva e socioeconômica estadual.

A economia da Paraíba pode e deve voltar ser, destacadamente, a quarta maior do Nordeste. Em 1995, o seu PIB só perdia para os da Bahia, Pernambuco e Ceará. Depois foi regredindo e, em 2015, na sexta posição, equivalia a 72% do PIB do Maranhão e a 98% do PIB do R.G. do Norte.

A Paraíba é relativamente desprovida de recursos naturais. O seu território está quase todo no Polígono das Secas. Essas desvantagens pesam, mas não justificam o subdesenvolvimento paraibano. Até porque capital, trabalho e recursos naturais tornaram-se fontes inferiores de geração de riqueza, comparados à ciência e tecnologia.

É de uma falta de visão sem limite, a subutilização da capacidade cinético-tecnológica das IES públicas da Paraíba como suporte do seu desenvolvimento. Os outros estados, principalmente os das regiões mais ricas do País, têm sido os grandes beneficiários das atividades de ensino e pesquisa dessas instituições.

Particularizando o caso da UFPB, impõe-se reconhecer o muito que lhe cabe fazer em prol do desenvolvimento local.  Há em seus laboratórios modernos equipamentos, instalações e pessoal qualificado, com uma grande capacidade em tecnologia e processos nas áreas de vídeo digital, produtos fitoterápicos; novos materiais; biocombustíveis; energias renováveis e eficiência energética; pequena e média produção agroindustrial; solos e produtos de origens animal e vegetal, etc.

Urge uma maior inserção da UFPB no setor produtivo da Paraíba. Há, sim, óbices a superar. O setor público tem que ser um eficiente coordenador, promotor e fomentador do desenvolvimento. As classes empresariais precisam se comprometer mais com o progresso tecnológico e organizacional do setor produtivo.

Enfim, falta à sociedade paraibana uma cultura mais voltada à prosperidade econômica e ao bem-estar social. Essa base desenvolvimentista requer uma participação coletiva, envolvendo políticos, empresários, trabalhadores, estudantes, intelectuais, comunidade acadêmico-científica, etc. Essa tarefa é árdua, mas claramente possível.

 

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