Roberto Jefferson depõe da CPI da compra de votos e segue irônico - WSCOM

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Brasil & Mundo

04/08/2005


Roberto Jefferson depõe da CPI

Roberto Jefferson acaba de se apresentar à mesa e cumprimenta os parlamentares. Parece tranquilo e acena sorridente para várias pessoas.

Na última terça-feira, durante o depoimento de José Dirceu no Conselho de Ética, Jefferson prosseguiu com sua estratégia de trazer novas denúncias calculadamente e trouxe uma nova bomba. Segundo ele, o empresário Marcos Valério se apresentou a executivos da Portugal Telecom como representante do governo Luiz Inácio Lula da Silva.

“Reitero e ratifico e confirmo todos os depoimentos anteriores prestados a imprensa e ao Congresso Nacional”, diz Jefferson na aberetura de seu depoimento. O deputado afirma, porém, que não tem novidades para apresentar à CPI Mista do Mensalão.

O deputado se defende e diz que não procurou o ex-deputado Valdemar Costa Neto, que renunciou ao mandato na última segunda-feira para não ser cassado, propondo um acordo para ambos fossem poupados no Congresso Nacional.

“O útero, a matriz da corrupção, não está aqui, está do outro lado da rua”, diz Jefferson, referindo-se ao Palácio do Planalto. Ironizando, disse que Marcos Valério, “mesmo sendo o novo embaixador do Brasil, Marcos Valério, o carequinha, não tem a chave do dinheiro público do Brasil”.

“É como dizer que eu sou macho. Eu não coloco uma mulher de calcinha no palanque. Eu não preciso disso para mostrar que sou macho” – essa é a paródia do deputado paa mostrar como alguém que possui ética e moral não precisa dizê-lo.

De mulheres de calcinha e ética

“É como dizer que eu sou macho. Eu não coloco uma mulher de calcinha no palanque. Eu não preciso disso para mostrar que sou macho” – essa é a paródia do deputado paa mostrar como alguém que possui ética e moral não precisa dizê-lo.

As mulheres presentes à sessão protestam dizendo que as mulheres foram ofendidas (leia abaixo). Jefferson se desculpa e diz que não pretende quebrar o decoro parlamentar. “Peço desculpa às deputadas do PT que se sentiram ofendidas com uma cena que relatei”. E as outras?

Jefferson diz que os deputados do PP Pendro Henry (MT) e José Janene (PR) tentavam insistentemenre aliciar parlamentares do PTB para mudarem de partido. Ao ponto, disse ele, de ter que mandar um emissário avisá-los de que, se prosseguissem, ele botaria a boca no trombone.

Neologista, não!

A respeito do surgimento da palavra “mensalão”, Roberto Jefferson garante que não foi o primeiro a usar o termo. “Mensalão” seria a forma usada por vários parlamentares da Casa para se referir ao suposto recurso para pagamento de deputados.

Amigo que é amigo divide o dindim

Perguntado se não estranhava os repasses milionários do PT ao seu partino, Jefferson alega que recebeu o dinheiro com tranquilidade, pois, na sua opinião, sabidamente o PT tinha muitos recursos e fazia a campanha mais cara já feita no Brasil. Podia, assim, distribuir caraminguás para quem quisesse.

“A reação do presidente foi a de um homem traído. Foi a reação de uma pessoa que recebeu uma notícia de surpresa”, diz Jefferson, repetindo que Lula desconhecia em absoluto o suposto “mensalão”.

Até quando?

Os mercados ainda encaram a cena política com reserva. Por enquanto, a Bolsa de Valores de São Paulo registra queda de 0,37%, aos 26.614 pontos. A moeda norte-americana segue o movimento dos últimos dias e cai 0,24%, cotada a R$ 2,315.

171 de Valério

Jefferson rememora conversa com José Dirceu sobre encontro com Valério: “Zé, recebi aqui o carequinha e achei um 171 danado”.

Jefferson diz que jamais imaginou que o montante dos desvios chegasse a R$ 2 bilhões, como revela o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). Na sua avaliação inicial, os repasses totalizavam no máximo R$ 60 milhões, o que ele teria comentado com o ministro Ciro Gomes (Integração Nacional).

O deputado Paulo Baltazar (PSB-RJ) pede a criação de uma comissão com poderes de viajar à Portual para buscar informações sobre as últimas denúncias trazidas por Jefferson.

O joio e o trigo

Paulo Baltazar pergunta qual a justificativa para acreditar que os R$ 4 milhões repassados do PT ao PTB também não era mensalão, mas sim dinheiro para pagamento de gastos com campanha eleitoral – embora a movimentação dos recursos tenha ocorrido na mesma época dos demais. “Por que temos que estar convencidos que o seu argumento é verdadeiro e que o PTB não recebeu?”

Jefferson nega que o dinheiro repassado ao PTB fosse “mensalão”. Era dinheiro para pagamento de despesas de campanha, reafirma.

A confusão toma conta da sessão após Jefferson afirmar que encara com surpresa os parlamentares que dizem nunca ter ouvido falar do “mensalão. “Quem não ouviu falar está temeroso ou…”, diz, insinuando que os desinformados são, na verdade, recebedores. Os parlamentares presentes se revoltam e pedem a palavra, mas o presidente da CPI Mista do Mensalão, Amir Lando, nega e dá sequência aos trabalhos.

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