Revista Veja tornou-se um panfleto do PSDB e do PFL, diz Berzoini - WSCOM

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Brasil & Mundo

30/10/2005


Revista Veja tornou-se um panfleto

Dirigentes petistas reagiram indignados à nova denúncia da revista, segundo a qual, campanha de Lula teria recebido dinheiro de Cuba. O presidente do PT, Ricardo Berzoini, disse que Veja tornou-se um panfleto da oposição. “Daqui a pouco vai se voltar a falar do ouro de Moscou”, ironizou o secretário-geral Raul Pont. PT entrará com ação judicial contra a revista.

Marco Aurélio Weissheimer – Carta Maior 29/10/2005

O presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, rechaçou neste sábado (29) as acusações da revista Veja de que o partido teria recebido dinheiro de Cuba na campanha eleitoral de 2002. Segundo a matéria de capa da revista, a campanha de Lula recebeu US$ 3 milhões de Cuba. A publicação não apresenta provas das denúncias, que se baseiam em depoimentos de dois ex-auxiliares do ministro da Fazenda, Antonio Palocci : Rogério Buratti e Vladimir Poleto. Os dois por sua vez teriam ouvido falar na história através de Ralf Barquete, morto em 2004. Apesar de não apresentar nenhuma prova da denúncia, a revista afirma categoricamente que a campanha de Lula recebeu tal dinheiro. “A revista virou um panfleto de segunda linha do PSDB e do PFL”, disse Berzoini ao discursar na abertura oficial dos Encontros Setoriais Nacionais, no plenário da Câmara de Vereadores de São Paulo.

Segundo o presidente do PT, a revista não tem autoridade para fazer esse tipo de denúncia enquanto não provar acusações que tem feito contra o partido, sem apresentar provas.

“A Veja já disse que o PT recebeu dinheiro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e até agora não provou nada”, acrescentou Berzoini. A proposta de criação de uma CPI do Caixa 2, defendida por PSDB e PFL, também foi criticada pelo dirigente petista.

“Não somos contra investigações, mas não podemos deixar que as CPIs se transformem em manobras para paralisar o país”, afirmou, lembrando que há uma tentativa da oposição de abafar a denúncia de Caixa 2 contra o ex-presidente do PSDB, Eduardo Azeredo.

E emendou: “A oposição gosta de bater, mas não gosta de apanhar. Não gosta que lembremos dos problemas no Proer (Programa de Ajuda Financeira aos Bancos durante o governo FHC) e na reeleição”.

PT entrará na Justiça contra revista

Berzoini anunciou que o PT entrará na Justiça contra a revista por tentar causar danos sucessivos à imagem do partido. Segundo ele, o processo incluirá outras reportagens da revista, como as denúncias sobre um suposto repasse financeiro da guerrilha colombiana e as declarações não confirmadas do doleiro Toninho da Barcelona.

“É tudo absolutamente infundado. A Veja age como uma frente de ataque ao governo e não como um órgão de imprensa. Isso não é jornalismo e sim oposição. Vamos processar a revista por causar danos à imagem do partido”, desabafou Berzoini.

Direto de Paris, o secretário de Relações Internacionais do PT na época do suposto repasse cubano, Marco Aurélio Garcia, falou por telefone ao jornal Globo, classificando a matéria como “o relato de uma fábula”. “Trata-se de uma fabulação. Como também foi a história da ligação do PT com as Farc. É mais uma campanha da revista contra o governo, sem fundamento real”, disse Garcia.

O secretário-geral do PT, Raul Pont, disse que a reportagem de Veja é “leviana e infundada” e ironizou: “daqui a pouco vai se voltar a falar do ouro de Moscou”. Pont também lembrou as denúncias divulgadas pela revista sobre o suposto envolvimento do doleiro Toninho da Barcelona contra o PT, sem nenhuma prova. O deputado gaúcho criticou o denuncismo reinante no país. “Estamos vivendo no país um momento em que os fundamentos não são abordados, são só denúncias, sem provas. É um negócio absurdo”.

Ao tomar conhecimento do conteúdo da publicação, Pont criticou duramente o comportamento editorial de Veja: “Não tem pior informação hoje no país do que essa revista. Toda semana, ela inventa algo infundado”. Os dirigentes petistas, em sua totalidade, reagiram de modo indignado às novas denúncias de Veja, lembrando que não haveria porque o partido adotar tal prática, uma vez que perderia o registro eleitoral.

“Guerra total”

O governo também reagiu às denúncias de Veja. O chefe de gabinete da presidência da República, Gilberto Carvalho, classificou-as como “absurdas”. “Nunca foi hábito nosso obter financiamento do exterior, nem isso é permitido”, resumiu. O deputado federal Maurício Rands (PT-PE), integrante da CPI dos Correios, disse que a acusação não tem fundamento. “Nunca tive conhecimento desse dinheiro e acho isso pouquíssimo provável”, disse o parlamentar.

Na mesma linha, Luciano Zica (PT-SP) protestou contra a prática do denuncismo: “agora, qualquer um que é acusado faz uma denúncia para se defender”. Nesta semana, após assistir ao afastamento do senador Eduardo Azeredo (MG) da presidência do PSDB, em função de seu envolvimento com o empresário Marcos Valério, dirigentes tucanos prometeram “guerra total” contra o PT e o governo Lula. A matéria de capa de Veja sinaliza essa guerra e chega a pedir a cassação do registro do PT.

Uma das coisas que mais causou indignação entre os dirigentes petistas foi o reconhecimento, na própria matéria de Veja, de que a suposta principal testemunha do caso não pode ser ouvida, pois já morreu. A reportagem afirma: “Buratti e Poleto apresentam depoimentos fortes e comprometedores, mas embasam-nos no que ouviram falar de Ralf Barquete – uma testemunha que não pode mais ser ouvida. Em 8 de junho de 2004, Barquete morreu vítima de câncer, aos 51 anos”. Esse fato não impediu, porém, que a revista optasse por uma afirmação categórica na capa.

No final da reportagem, segundo a avaliação desses dirigentes, aparece o verdadeiro objetivo da denúncia: “Caso as investigações oficiais confirme que o PT recebeu dinheiro de Cuba, e o partido venha a ter o registro cancelado, o cenário político brasileiro será varrido por um Katrina: isso porque os petistas, sem partido, não poderiam se candidatar na eleição de 2006. Nem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva”.

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