Revelações sobre morte de Jean reforçam caso contra polícia britânica, dizem jor - WSCOM

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Internacional

17/08/2005


Revelações sobre morte de Jean

As novas revelações vazadas para a TV da Grã-Bretanha sobre as circunstâncias da morte do eletricista Jean Charles de Menezes pela polícia, no mês passado, colocam em xeque a versão anteriormente divulgada pela Scotland Yard sobre o ocorrido e reforçam o caso da família do brasileiro contra a polícia, disseram jornais britânicos em suas edições desta quarta-feira.

“Ele não tentou correr, ele foi imobilizado antes de ser morto, os tiros foram dados enquanto ele estava sentado”, estampa o jornal inglês The Guardian em sua principal manchete.

Segundo o jornal, “a revelação que vai se mostrar a mais desconfortável para a Scotland Yard é de que o eletricista de 27 anos já havia sido imobilizado por um policial antes de levar oito tiros, sete deles na cabeça.”

O jornal ainda destaca que o eletricista não foi propriamente identificado porque o policial responsável estava no banheiro no momento exato em que ele deixava sua casa; que Jean Charles não sabia que estava sendo seguido, não estava usando um casaco de inverno, não correu da polícia e não pulou a roleta do metrô.

Em sua primeira página, o Daily Mail pergunta: “Como foi que eles erraram tão feio?” e, em uma coluna, mostra, passo-a-passo, como o público foi enganado pelas primeiras declarações da polícia, que inicialmente disse que Jean Charles usava um casaco de inverno onde poderia estar escondida uma bomba e saltou a roleta do metrô e fugiu, ao perceber que estava sendo seguido.

O jornal The Independent afirma que um “catálogo de erros da polícia levou à morte do brasileiro” e diz que as alegações colocam a família do eletricista em uma melhor posição contra a Scotland Yard.

Por sua vez, diário The Times afirma que o chefe da Polícia Metropolitana, Ian Blair, vai ser pressionado a explicar como uma sofisticada operação policial deu tão errado, e o Daily Telegraph questiona as declarações iniciais de Blair, que insistiu que a morte do eletricista foi a trágica consequência de uma operação legítima.

O Financial Times, por sua vez, destaca que os tiros contra Jean Charles foram disparados por dois policiais.

Determinação em Gaza

Em editorial, o diário israelense Haaretz publica que chegou a hora de a polícia agir com determinação em relação aos colonos judeus que se recusam a deixar a Faixa de Gaza.

Segundo o jornal, a polícia foi arrastada para uma operação em dois estágios. O primeiro, passivo e sensível, o segundo, mais determinado; mas ainda é cedo para ver se a estratégia terá, realmente, evitado confrontos ainda mais violentos.

Para o Haaretz, os colonos se agarraram à esperança de que políticos de extrema-direita manobrassem para que eles pudessem permanecer em sua casa, e que isso é resultado da atitude do governo nos últimos anos, relevando muitas vezes o descumprimento da lei.

“O que está acontecendo em Gush Katif agora é um reflexo apurado do que aconteceu nos assentamentos durante todos os anos de sua existência – a compreensão excessiva que eles receberam, a piscadela todas as vezes em que eles burlaram a lei e o governo.”

Segundo o Haaretz, depois de dois dias de negociações para que os colonos deixassem os assentamentos por conta própria, chegou a hora de reverter a situação.

“Qualquer futura demonstração de fraqueza vai provocar o fracasso de toda a operação”, conclui.

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