Relatório acusa Europa de cooperar com vôos da CIA - WSCOM

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Internacional

07/06/2006


Relatório acusa Europa de cooperar

Governos europeus colaboraram com a CIA, a agência de inteligência americana, nos vôos secretos para transportar suspeitos de terrorismo, conclui um relatório encomendado pelo Conselho da Europa – a agência que supervisiona a política de direitos humanos no continente.

“Agora está claro – embora nós ainda estejamos longe de estabelecer a verdade -que as autoridades de vários países europeus participaram ativamente com a CIA nas atividades ilegais”, diz o documento que será apresentado nesta quarta-feira ao Conselho.

Segundo uma cópia do relatório, obtida pela BBC, 14 países teriam sido coniventes com os Estados Unidos ao permitir que os seus espaços aéreos ou suas instalações fossem usadas para transportar ou interrogar suspeitos.

O autor do relatório, o deputado suíco no Parlamento Europeu Dick Marty, diz que países como Grã-Bretanha, Espanha, Alemanha, Turquia, e Chipre fornecerem apoio às operações da CIA.

Campos secretos – As acusações mais graves, porém, são feitas contra a Polônia e a Romênia. Após sete meses de investigações, Marty diz haver provas suficientes para sustentar a alegação de que os dois países mantinham, e possivelmente ainda mantêm, prisões secretas operadas pelos americanos.

Tanto a Polônia como a Romênia negam a suspeita desde que ela apareceu no ano passado em uma reportagem do jornal The Washington Post, que afirmava que a CIA havia utilizado campos da era soviética.

“Outros países”, diz o documento, “ignoraram (os vôos) deliberadamente, ou não quiseram saber.”

O Conselho da Europa, que teve dificuldades para obter informações sobre o assunto junto aos países membros, pode citar e fazer acusações aos países – mas não pode iniciar qualquer processo legal.

O governo americano não nega ter transportado suspeitos para outros países, mas rejeita a acusação de que eles sejam torturados.

As alegações de que a CIA mantinha prisões secretas no Leste Europeu, no Afeganistão e na Tailândia surgiram pela primeira vez em novembro do ano passado na reportagem do Washington Post.

Segundo o jornal, essas prisões foram estabelecidas depois dos ataques de 11 de setembro nos Estados Unidos e desde então mais de 100 pessoas teriam sido enviadas para “pontos negros”.

Inicialmente governos europeus pediram satisfações aos Estados Unidos, mas em seguida a mídia de vários países divulgou relatos de que a CIA teria usado aeroportos europeus no seu programa de “rendições extraordinárias”.

O programa consistiria em enviar suspeitos de terrorismo para serem interrogados por agentes de segurança em outros países, onde eles não contam com a proteção nem com os direitos assegurados pela lei americana.