Quedas e acidentes de trânsito lideram causas de fraturas faciais em crianças - WSCOM

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Saúde

05/04/2011


Fraturas de face comuns no trânsito

Cuidado

Foto: autor desconhecido.

A menor capacidade de análise e de discernimento dos perigos que as rodeiam, aliada a uma índole inquieta e aventureira, contribui para que o número de traumas em crianças seja alto. Na região da face, embora os traumas também sejam recorrentes, a prevalência de fraturas é rara. Quem explica isso é o médico Daniel Falbo Martins de Souza e colegas, no estudo “Epidemiologia das fraturas de face em crianças num pronto-socorro de uma metrópole tropical”.

“Dentre os fatores que contribuem para essa pequena incidência de fraturas na face, destacam-se a relativa elasticidade do esqueleto infantil, bem como a menor exposição deste grupo etário aos fatores etiológicos das lesões traumáticas”, dizem os autores no artigo que foi publicado ano passado na Acta Ortopédica Brasileira.

Realizado na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, o estudo observou que as fraturas mandibulares foram as de maior incidência na face das crianças. “O maior acometimento da mandíbula ocorre por essa estar em uma posição vulnerável e projetada da face, funcionando como um anteparo aos impactos frontais”, explicam.

Quanto às causas das fraturas, o grupo verificou que os acidentes de trânsito (automobilísticos e motociclísticos) e as quedas ficaram em primeiro lugar, seguidos por queda de bicicleta, agressão física, entre outros.

“Os principais ambientes em que ocorreram as quedas foram o domiciliar e a laje. O domiciliar pode ser explicado pela falsa sensação de segurança nos lares, fazendo com que as pessoas deixem de tomar cuidados simples para evitar acidentes, permitindo, por exemplo, a exploração de brincadeiras em cima de móveis, muitas vezes altos o bastante para desencadear acidentes graves. As quedas da laje estão relacionadas à falta de áreas de lazer na periferia da grande metrópole”, explicam.

Os pesquisadores acreditam que as quedas das lajes poderiam ser evitadas se houvesse política de prevenção, estimulando a construção de muros ou grades nos seus limites e áreas de lazer que sejam seguras para as crianças.

Já, quanto aos acidentes de trânsito, eles dizem que os dispositivos que podem diminuir a morbidade do trauma são o cinto de segurança de três pontos e a cadeira apropriada para as diferentes faixas etárias (regulamentados ano passado pela Resolução 277 do Conselho Nacional de Trânsito) e os air-bags frontais, que a partir de 2014 passam a ser obrigatórios.

Outra constatação do estudo é que a ocorrência das fraturas faciais foi mais prevalente em março e junho, caracterizando o início e o mês de férias das atividades escolares, quando as crianças estão mais ativas e explorando novos campos.

“Grande preocupação com as fraturas faciais em crianças se deve às graves sequelas que as mesmas ocasionam em função do crescimento e desenvolvimento dos ossos faciais. Os princípios específicos de tratamento das fraturas nos adultos não podem ser indiscriminadamente aplicados nas crianças, devido às particularidades desta população em relação ao crescimento facial, ao grande potencial de remodelação óssea e à possibilidade da presença de germes dentários na topografia das fraturas”, ressaltam.

 

Para ver o artigo na íntegra, acesse.

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