PT precisa salvar sua história 'pelo amor de Deus', diz FHC - WSCOM

menu

Brasil & Mundo

30/08/2005


PT precisa salvar sua história

Ex-presidente evitou comentar possibilidade de envolvimento de Lula com as denúncias. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu nesta segunda-feira a necessidade de o PT “salvar a própria história” ao mesmo tempo em que evitou comentar a possibilidade de envolvimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com as denúncias de corrupção.

“Eu já disse que não posso fazer um juízo dessa natureza. Seria leviano da minha parte. Eu não tenho nenhuma informação e espero que não”, disse Fernando Henrique a jornalistas, ao chegar para mesa-redonda no evento “Globalizando a Democracia e Democratizando a Globalização”, do Clube de Roma, em São Paulo.

Na semana passada, no entanto, o ex-presidente foi menos cauteloso ao falar sobre Lula. “Não é possível ter feito tanta coisa equivocada e ninguém ter percebido. Será que o presidente Lula nunca viu nada? Se ele nunca viu nada, como é que pode chegar a ser presidente?”, afirmou na ocasião.

Sobre o PT, Fernando Henrique disse nesta segunda que o Brasil “precisa de partidos e partidos que tenham uma certa história e o PT tem”.

“Eles que salvem a história deles, pelo amor de Deus, façam um esforço para salvar a própria história, para ajudar a todos nós”, disse. “Não estou aqui para querer que o PT se arrebente, não é esse o meu ponto de vista.”

Fernando Henrique reclamou da reação dos petistas aos seus comentários.

“Toda hora que eu falo alguma coisa, eles dizem que eu não tenho autoridade para falar. Meu Deus do céu, eles parecem que ficam tremendo. Eu não sou agressivo, eu faço análises até mais do que propriamente críticas. Não obstante, eles sempre reagem querendo me atingir como pessoa.”

O tucano não quis comentar a decisão de Tarso Genro deixar a candidatura a presidente do PT, nem a decisão do senador Cristovam Buarque de deixar o partido.

Ao ser perguntado se o PT já é uma carta fora do baralho das eleições do próximo ano, Fernando Henrique procurou adiar essa discussão.

“Não acho isso não (…) nós não estamos em época pré-eleitoral, estamos tendo que resolver uma questão que é mais grave do que isso, que é o fato da corrupção e acusações que têm que ser passadas a limpo, as punições têm que ocorrer e só depois é que vamos cuidar de eleição.”

Em sua exposição no enveto do Clube de Roma, Fernando Henrique falou sobre como a globalização afeta o processo democrático, as lutas por direitos e o peso de organizações sociais na discussão sobre políticas públicas.

Antes de sua fala, o governador Geraldo Alckmin (PSDB), que fazia as vezes de moderador da mesa-redonda, o apresentou como sociólogo, um dos principais intelectuais da América Latina e presidente do Brasil por duas vezes. “Por enquanto”, disse Alckmin arrancando risos da platéia.

O ex-presidente respondeu depois, ao citar sua experiência em Brasília durante os dois mandatos dizendo: “E chega, viu Geraldo.”

Fernando Henrique, Alckmin, o prefeito de São Paulo, José Serra, e o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, são os principais nomes do PSDB para disputar a eleição presidencial do próximo ano.

Notícias relacionadas