Projeto estimula mães de crianças com doenças raras a entrar na faculdade - WSCOM

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Educação

01/05/2019


Projeto estimula mães de crianças com doenças raras a entrar na faculdade

Mães Produtivas oferta 250 bolsas de estudo integrais. Inscrições estarão abertas até 10 de maio

Divulgação

Quatro anos atrás, Eulina Silva Farias, 38 anos, levava uma vida ativa até receber a notícia que transformou completamente a sua vida: estava grávida. Pouco tempo depois, descobriu que o futuro Deividy Farias Batista apresentava sintomas da Síndrome Congênita do Zika Vírus. “O diagnóstico foi terrível e desesperador. Ainda hoje é tudo muito difícil porque, apesar de o pai dele conviver comigo, não me ajuda nas atividades. Eu sou sozinha para praticamente tudo. É como se eu tivesse perdido a minha identidade”, conta.

O menino Deividy, hoje com apenas três anos, depende totalmente da mãe nas sessões de fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia no Centro de Prevenção e Reabilitação da Pessoa com Deficiência (Cepred); nas consultas com neuropediatras, pediatra, oftalmologista e nutricionista, no Hospital Geral Roberto Santos; além das sessões de fisioterapia e hidroterapia na Organização não-Governamental (ONG) aBRAÇO a Microcefalia.

Sem trabalhar desde então, devido aos cuidados em tempo integral exigidos pela condição do filho, Eulina sonha em montar o próprio negócio para dar uma vida melhor à família e entende que dar continuidade aos estudos é um passo importante para a concretização deste objetivo. “Acredito que o ensino superior é importante para que eu possa me capacitar, ingressar novamente no mercado de trabalho e ser útil à sociedade. Penso em ser uma microempreendedora e a graduação em Logística vai me ajudar a gerir o negócio, ou até mesmo conseguir emprego, e ter como dar uma qualidade de vida melhor ao meu filho”, afirma.

Mães Produtivas

Eulina não imaginava que conheceria o projeto Mães Produtivas através de um aplicativo de mensagens instantâneas, que oferta bolsas de estudo integrais específicas para mulheres que têm crianças com síndromes e doenças raras e com isso poder realizar o seu sonho. O projeto foi idealizado pela ONG Alianças de Mães e Famílias Raras (AMAR) e o grupo Ser Educacional/UNINASSAU, em 2016, em Pernambuco, devido à grande incidência de casos de Microcefalia. A iniciativa, no entanto, foi ampliada para contemplar casos de crianças com outras condições

Em 2019, são 250 bolsas de estudo gratuitas em graduações e pós-graduações na modalidade Educação a Distância (EAD). “A ação foi criada para levar a qualificação profissional para essas mães, que não podem fazer aulas presenciais, pois são cuidadoras dos filhos. Mais de 70% das mães foram abandonadas pelos companheiros, muitas estão desempregadas e em processo de depressão”, ressalta o presidente do grupo Ser Educacional, Jânyo Diniz.

As inscrições podem ser feitas até 10 de maio. As candidatas devem buscar informações por meio do telefone 4020-9734 (ligação local) e, em seguida, entrar em contato com o Núcleo de Atendimento ao Educando (NAE) da unidade de ensino para agendar o atendimento presencial.

As oportunidades estão disponíveis nas seguintes instituições: a Universidade UNIVERITAS/UNG, em Guarulhos; a Universidade da Amazônia (UNAMA), em Belém; os Centro Universitários Maurício de Nassau – UNINASSAU em Recife, Salvador e Maceió; o Centro Universitário Universus Veritas (UNIVERITAS), no Rio de Janeiro; as Faculdades UNAMA em Boa Vista, Porto Velho e Rio Branco; as Faculdades UNINASSAU em Fortaleza, Natal, João Pessoa, Manaus, São Luís, Teresina e Aracaju; e as Faculdades UNIVERITAS em Belo Horizonte, Anápolis, Cuiabá e Palmas.

 

Oportunidade e Cidadania


Se existem mães que estão em busca de participar do projeto pela primeira vez, a estudante Valéria Santos foi selecionada na primeira edição, em 2016, e já está no 6º semestre da graduação. “Escolhi Pedagogia porque estar com crianças é um aprendizado para mim. Me identifico com a ideia de formar, não só bons alunos, que sejam capazes de tirar boas notas, mas que também possam ser cidadãos críticos e construtores dos seus conhecimentos”, afirma a mãe de Larissa Vitória Santos Ferreira, menina de cinco anos de idade que sofre de Microcefalia e paralisia cerebral.

 

Valéria conheceu as bolsas de estudo Mães Produtivas por meio da Aliança de Mães e Famílias Raras (AMAR), que atende atualmente 420 famílias de Pernambuco e idealizou o projeto em parceria com o grupo Ser Educacional/UNINASSAU. A ideia nasceu dos atendimentos feitos pela ONG às mulheres afetadas pelo surto da Síndrome Congênita do Zika Vírus. Segundo a fundadora e presidente da AMAR, Pollyana Dias, geralmente eram mães muito jovens, não tinham rede de apoio – ou foram abandonadas pelos companheiros ou estes não cumpriam com as responsabilidades de pai – e questionavam sobre como voltariam a estudar, já que precisavam estar disponíveis para os filhos.

 

Redescoberta de sonhos

 

Devido ao alcance social e humanitário, Mães Produtivas é uma das mais belas e importantes iniciativas na área educacional, na opinião do presidente do grupo Ser Educacional, Jânyo Diniz. “O projeto contribuirá com o processo de reencontros e redescoberta dos sonhos, de projetos deixados de lado; com o aumento da autoestima destas mães; com a possibilidade de melhorar sua qualidade de vida; e com o empoderamento que impulsionará a sua luta pela inclusão social do seu filho”,  acredita.

 

O processo seletivo em que as candidatas deverão participar será entre os dias 13 de maio e 10 de junho de 2019. Serão levados em consideração critérios como o grau de doença da criança; a situação acadêmica e socioeconômica das mães e famílias; as motivações e também as condições de estudo de cada mulher.


Haverá assistência prestada por tutores para as futuras graduandas, acompanhamento humanizado que leva em consideração as individualidades, possibilidade de cursar a pós-graduação e a inserção no mercado de trabalho.

 


Agência Educa Mais Brasil