Professor lança livro contando a história da cidade de Umbuzeiro - WSCOM

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Entretenimento

18/09/2017


Livro conta história de Umbuzeiro na PB

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Foto: autor desconhecido.

Ele é físico de formação. Tem especialização em tecnologia da educação. Também é mestre em Física e atualmente se debruça sobre os livros na busca de embasar sua pesquisa de doutorado, na área da física mesoscópica. Passou os últimos 24 anos de sua vida dentro de uma sala de aula ensinando a jovens uma física que nem sempre está nos livros, mas que, certamente, cerca a toda a gente que nem sempre a vê.


Mas não foi apenas isso. Ao longo dessas mais de duas décadas, também se dedicou a literatura. O livro ‘Histórias de minha terra – a história da cidade que nunca foi contada’ acabou de ficar pronto. A obra traz um relato fictício inspirado em fatos que viveu, viu ou ouviu alguém contar durante sua infância e adolescência vivida na cidade paraibana de Umbuzeiro, onde nasceu. Bom, quase pronto. A publicação ainda não está certa e esse é o capítulo que o professor, que nas horas vagas é escritor, enfrenta: levantar fundos que o possibilitem ver impresso o sonho de uma vida.


A obra ainda não saiu das telas do computador. Em orçamento feito em uma gráfica recifense, o físico ora escritor ressalta que precisa de apoio financeiro para colocar um ponto final nesta história toda e ver sua obra ganhar vida, ou melhor, capa e contracapa e um bom tanto de páginas, quiçá algumas ilustrações.


Esse é o desejo que a soma de cerca de cinco mil reais poderá tornar realidade. Para isso o professor inscreveu o projeto de publicação de sua obra numa plataforma virtual de financiamentos coletivos, de cunho plural, e tenta, com apoio de familiares, amigos, conhecidos, amantes da literatura, conhecidos de conhecidos, e por aí vai, arrecadar a quantia necessária. A plataforma a qual se refere o professor Anderson Vieira é o fundo de investimento coletivo Catarse, um crowdfunding que pode ser acessado pelo link https://www.catarse.me/historias_de_minha_terra_723a. Através deste site, as pessoas que queiram apoiar o projeto literário podem depositar qualquer quantia acima de 10 reais, não havendo teto para as doações que se dão através de depósitos a partir de crédito autorizados em cartão ou boleto bancário. A arrecadação tem um prazo. De acordo com o professor Anderson, restam apenas 15 dias e a meta ainda não foi batida. Ele explica que somente receberá a importância necessária a publicação do livro se todo o valor for arrecadado. Do contrário, toda a quantia doada até agora será automaticamente estornada a cada um dos apoiadores.


Para alcançar a meta, o professor de física vem divulgando o link da plataforma em diversas redes sociais e contado com o apoio dos amigos e simpatizantes que, por sua vez, também compartilham a publicação. “Não tenho intenção de lucrar com o a venda dos livros, caso consiga publicá-lo. "Meu objetivo, além de ver a obra ganhar vida, é doar todo o dinheiro que vier com a sua venda para instituições de caridade de João Pessoa e Umbuzeiro”, ressalta o autor. E acrescenta: "Acredito no crescimento cultural e intelectual de jovens a partir da prática da boa leitura, mesmo que a indústria digital tente impor a cultura do plug and play. Não se pode levar a sério uma sociedade que não lê”, comentou.


Por ora, aos que colaborarem com o projeto, vão receber um souvenir contendo a introdução e o primeiro capítulo do livro ‘Histórias de minha terra – a história da cidade que nunca foi contada’. Alguns dos apoiadores que já leram o agrado literário esboçaram algumas opiniões sobre a obra. O também professor de física João Medeiros fez o seguinte relato: ‘Histórias da Minha Terra’, certamente poderia ser também da minha terra e de tantos outros. Um passeio, uma coletânea de escutas de beira de calçada ou provavelmente conversas de pé de fogão, muito bem retratadas e com um nítido cuidado com os detalhes.


Aquelas pessoas de ‘Y-mb-Ú’ ficarão gratas pelas lembranças e pela forma generosa, às vezes cômica, de como são levadas nesse ‘túnel do tempo’. Bem eu fiquei. E olha que nem sou de lá”. Já o colaborador Luis Loureiro comentou: “Maravilha de conto! Muito empolgante, uma grande trama, do início ao fim, uma grande expectativa sobre o nascimento do lendário Sebastião, além de uma linguagem peculiar e diversificada, com repentes de logismos regionais misturados, harmoniosamente, a uma narrativa simples e retocada de aforismos linguísticos”.


Como tudo começou

 

Algumas gerações de jovens que foram alunos do professor Anderson, ou Vieira, como muitos o chamam, certamente terão como reconhecer muitas das histórias que recheiam a obra escrita numa narrativa empolgante, tendo como pano de fundo o realismo fantástico – gênero literário que aprendeu a admirar a partir das leituras de autores consagrados como Gabriel Garcia Marquez e José Saramago, segundo conta o autor. É que o exercício de escrever, de modo oral, sempre era vivido em sala de aula nos intervalos em que o professor fazia entre uma explicação e outra das tantas questões de física.

 

“Costumava dar as aulas e entre um assunto e outro contava um conto, um ‘causo’ para que a turma desse uma relaxada. Era uma forma de aliviar a tensão das aulas, a pressão com a chegada próxima das provas bimestrais, ou do vestibular e mais recente, do Enem. Todos riam muito e outros riam e até procuravam saber mais sobre esse ou aquele personagem. Para mim, era uma forma de reviver o que tinha visto, vivido ou ouvido falar sobre as pessoas do lugar onde nasci e dar mais coesão a construção das personagens. Mas muitos destes personagens são frutos da minha imaginação e contar para eles servia para alimentar minha criação”, relembra Anderson Vieira.


A obra conta com treze capítulos, em que narra a vida de muitas personagens reais e outras criadas pelo autor e dão cabo de contar uma história inspirada numa frase dita pelo por Frei Damião. O professor lembra que em uma das tantas visitas do religioso a Umbuzeiro, teria profetizado que a pequena cidade um dia iria se acabar por causa dos melões de São Caetano, uma espécie de vegetação não-nativa do lugar.


“Aquela história nunca me saiu da cabeça e ficava pensando em porquê ele, Frei Damião, teria dito aquilo. Costumávamos, eu e a molecada, brincar com os pequenos melões. Uma espécie de briga de galo, onde batíamos um no outro até arrebentar o talo do melão. O que não arrebentasse ganhava o jogo”, explica. Anderson conta que nunca soube a razão das palavras proferidas por Frei Damião, mas a passagem que não saia da sua memória serviu para impulsionar o que começou como uma distração sem grandes pretensões e que acabou num relato de aproximadamente duzentas páginas. 

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