Professor de Economia da UFPB fala sobre desenvolvimento econômico centrado nos paraibanos - WSCOM

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Economia & Negócios

28/06/2018


Professor de Economia da UFPB fala sobre desenvolvimento econômico centrado nos paraibanos

Foto: autor desconhecido.

O professor Erik Figueiredo, do Departamento de Economia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), fala sobre desenvolvimento econômico centrado nos paraibanos, em novo texto publicado nessa quinta-feira (28). O artigo semanal é uma parceria do Departamento de Economia da UFPB com o Grupo WSCOM.

Confira a íntegra do artigo:

Por um desenvolvimento econômico centrado nos paraibanos

Por Erik Figueiredo

Um antigo professor de economia costumava repetir em sala de aula: “por que insistir no mesmo erro, quando há tantos outros a cometer?” Essa frase, carregada de ironia e bom-humor, parece se encaixar ao recente debate sobre os planos de desenvolvimento da Paraíba.  Como em um passe de mágica, ressurgem as mesmas ideias, os mesmos atores e, infelizmente para o povo paraibano, a mesma expectativa de resultados. Só para ilustrar esse ponto, de acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Paraíba ocupava 19ª posição no ranking dos Produtos Internos Brutos (PIBs) brasileiros no início dos anos 2000. Em 2015, graças aos esforços e aos avanços defendidos pelos especialistas de plantão, o Estado continua a ocupar a 19ª posição no ranking dos Produtos Internos Brutos brasileiros. E mais, atualmente a Paraíba contribui com menos de 1% para o PIB nacional (em verdade, 0,9%), enquanto os nossos vizinhos pernambucanos, por exemplo, contribuem com quase 3%. No Nordeste só ficamos à frente de Sergipe, Alagoas e Piauí.

 

Já tratei nesta coluna sobre estratégias de crescimento econômico traçando o paralelo entre o Nordeste do Brasil e a região de Gyeonggi, na atual Coréia do Sul (Link: https://www.wscom.com.br/noticia/professor-da-ufpb-fala-sobre-licoes-de-desenvolvimento-no-brasil-e-na-coreia/). Em resumo, enquanto os planos de crescimento para o Nordeste brasileiro se ancoraram em um processo de industrialização para a economia interna, a Coréia optou por uma política voltada para o setor exportador e, em grande medida, para a melhoria dos indicadores educacionais e de produtividade. Em suma, a Coréia resolveu apostar em seu povo. O resultado é bem conhecido, Gyeonggi é hoje um dos pilares da indústria sul coreana, sediando empresas de renome internacional como a Samsung e LG. Já o Nordeste brasileiro continua repetindo os erros do passado e esperando uma melhor sorte no futuro.

 

Então, o que fazer para superar o subdesenvolvimento? Na prática, basta observar o que os planos de desenvolvimento modernos requerem. Recentemente, o estado vizinho do Ceará elaborou o “Projeto de Apoio ao Crescimento Econômico com Redução das Desigualdades e Sustentabilidade Ambiental do Estado do Ceará”. A estratégia  seguiu as orientações do Banco Mundial e,  por conta disso, o Estado foi capaz de captar cerca de 350 milhões de doláres junto ao Banco. As palavras mágicas do plano cearense são: crescimento sustentável, desenvolvimento humano e aumento de produtividade. Tendo isso como base, podemos pensar o desenvolvimento paraibano seguindo os seguintes eixos temáticos:

 

  • Se desprender da idéia do governo como agente principal no processo. Nesse tópico, ressalto mais uma frase famosa em nosso meio: as pessoas prosperam apensar do governo e não por causa dele;
  • Desenvolvimento econômico voltado para os três setores produtivos (indústria, agricultura e serviços), mas com enfoque especial para o setor exportador e para os recursos hídricos;
  • Mapear e planejar o desenvolvimento humano com um foco voltado para as metas estabelecidas pela Organização das Nações Unidas (ONU);
  • Formação de capital humano, voltada especialmente para educação primária, treinamento vocacional, pesquisa e tecnologia e formação de gestores públicos;

 

A diferença desse desenho é trazer o tópico 4 para o centro da estratégia. É seguir os passos de nações que superaram seu subdesenvolvimento por meio do investimento nas pessoas. O ponto central não é a industrialização às custas do contribuinte. Não é inchar o Estado. Afinal, isso já se mostrou ineficiente e, seguindo o conhecimento popular, podemos afirmar que: a definição de loucura é insistir na mesma ação esperando que ela produza um resultado diferente.

 

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