Professor da UFBA fala sobre a produtividade do trabalho na era petista - WSCOM

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Economia & Negócios

14/09/2017


Professor trata trabalho na era petista

DEP. DE ECONOMIA

Foto: autor desconhecido.

O professor de economia da Universidade Federal da Bahia (UFBa), Wilson F. Menezes, explana em novo texto, sobre a produtividade do trabalho na era petista. O artigo semanal é uma parceria do Departamento de Economia da UFPB com o Grupo WSCOM.

Para o especialista, "é interessante agora avaliar os níveis de escolaridade nos fluxos de entrada e de saída da mão de obra no mercado de trabalho brasileiro".

Confira o artigo na íntegra:

A PRODUTIVIDADE DO TRABALHO NA ERA PETISTA

Wilson F. Menezes , professor da UFBa

O conceito de produtividade é muito importante para uma avaliação das condições econômicas de um país. Normalmente se fala da produtividade do trabalho, muito embora não se possa esquecer que esse conceito tem uma implicação direta com a tecnologia. Por tecnologia entende-se a maneira como os fatores de produção são transformados para fazer surgir os bens econômicos. Em economia costuma-se considerar a tecnologia como um fator exógeno às circunstâncias que envolvem os movimentos da oferta e da demanda. Trajetórias tecnológicas encerram especificidades muito fortes em questões relativas ao crescimento e ao desenvolvimento econômico.

Para um entendimento do conceito de produtividade do trabalho, de forma bem simplificada, inicialmente se explicita quanto de trabalho é necessário para se alcançar certo quantitativo do produto, isso é feito por meio de uma função de produção. Em havendo um deslocamento positivo dessa função, estima-se que houve uma mudança tecnológica. Assim, a produtividade do trabalho pode ser vista como sendo a capacidade de a economia produzir mais bens e serviços com a mesma dotação de trabalho, ou produzir uma mesma quantidade desses mesmos bens e serviços com um menor uso desse fator. As mudanças tecnológicas exigem do mercado de trabalho novos conhecimentos e melhores níveis educacionais, os quais são, grosso modo, medidos através da escolaridade da força de trabalho. Avaliar a escolaridade é, portanto, uma boa maneira de acompanhar o processo de qualificação da mão de obra. Entende-se, portanto, que o avanço dessa variável se encontra associado a uma elevação da produtividade do trabalho.

Outros conceitos importantes em economia, agora relativos ao mercado de trabalho, são os de fluxo e estoque de mão de obra. Para o mercado de trabalho, um fluxo de mão de obra é representado pelos trabalhadores que conseguiram algum posto de trabalho ou ficaram desocupados por um período de até três meses. No primeiro caso tem-se um fluxo de entrada, enquanto que no segundo tem-se um fluxo de saída. Acima dos três meses de ocupação ou de desemprego essa mão de obra passa a ser considerada como sendo estoque de ocupados ou de desempregados.

Interessante agora avaliar os níveis de escolaridade nos fluxos de entrada e de saída da mão de obra no mercado de trabalho brasileiro. Não se vai, portanto, avaliar o estoque de mão de obra.

Daí a seguinte questão: considerando um interstício de até três meses, quais os níveis de escolaridade dos trabalhadores que conseguiram algum posto de trabalho e quais os níveis de escolaridade daqueles que passaram a estar desempregados? Dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego do período em que o petismo estava no poder, certamente permitem esse exercício estatístico. Os resultados apontam, para as regiões metropolitanas de Salvador e de São Paulo, resultados inequívocos. Em média, os desempregados com duração de até três meses nessas duas regiões metropolitanas apresentaram níveis de escolaridade mais elevados que os ocupados com duração também de até três meses. A forte conclusão que se chega é que uma degradação da qualificação da mão de obra, pouco a pouco foi se instalando no mercado de trabalho. Essa situação pode ser denominada de precarização do mercado de trabalho. Esse é um resultado alcançado pelo governo petista, ou seja, pela maneira petista de gerir a economia. Essa comprovação naturalmente já apontava para um grave problema de médio e longo prazo (prazos esses que já chegaram, ainda que estejamos vivos), qual seja: fica patente um forte mecanismo de perda de qualificação da mão de obra ocupada, com seus desdobramentos negativos para a sociedade como um todo, na forma de piora das condições de vida das pessoas, violência urbana, centros das grandes cidades invadidos por usuários de drogas, desarticulação familiar, dentre outras doenças sociais.

Não se pode negar que a escolaridade é uma boa medida para explicar os diferenciais de produtividade das pessoas; de sorte que uma maior dotação em escolaridade é que permite a elevação dos níveis de rendimentos auferidos pelos trabalhadores, além de contribuir com uma maior possibilidade em termos competitivos no mercado de trabalho. Mas o que fazer quando uma mais elevada escolaridade é rejeitada pela economia? Esse é um resultado muito estranho que vai de encontro às necessidades impostas pelo avanço tecnológico. Observem que nada foi dito acerca da qualidade da educação brasileira, avaliação essa que pode piorar ainda mais a percepção das condições de funcionamento do mercado de trabalho.

O país, no entanto, vivenciou um período de crescimento econômico, fortalecido principalmente pelo comércio internacional com a China, que passou a ser o maior parceiro econômico do Brasil. Exportou-se muito minério e grãos, em detrimento da indústria e, sobretudo, da indústria que utiliza os mais avançados e recentes conhecimentos proporcionados pelo avanço científico e tecnológico. Esse foi o Brasil deixado pelo petismo. Esse tipo de ocorrência tem sido denominado de “doença holandesa”, pelo fato de esse país ter sido o primeiro a enfrentar os malefícios de uma forma de crescimento econômico completamente desastroso, em que o atraso se impôs pouco a pouco a toda sociedade. Com medo de ser infeliz, a sociedade lamenta e chorará ainda por muito tempo.

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