Procissão do Encerro começa as 19h no Centro da capital - WSCOM

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Paraíba

14/04/2011


Procissão do Encerro começa as 19h

Tradição

Foto: autor desconhecido.

Nesta quinta-feira, dia 14, às 19h, tem a Procissão do Encerro. A saída é da igreja de Nossa Senhora do Carmo (localizada na Praça Dom Adauto, s/n, no Centro de João Pessoa). O término será na igreja da Misericórdia (Rua Duque de Caxias, Centro da Capital). Essa Procissão silenciosa conduz a imagem de Jesus Cristo carregando a cruz coberta por um pano roxo (simbolizando o luto), daí o nome “encerro” (fechada).

 

 

Dia 15/04 (sexta-feira), às 15h: Missa Votiva (Mistério da Santa Cruz), na igreja da Misericórdia. E às 16h: Procissão do Encontro. Da igreja da Misericórdia sai a Procissão com a imagem de Nosso Senhor carregando a cruz – “Senhor dos Passos” (agora, a imagem estará descoberta). E da igreja do Carmo sai a Procissão com a imagem de Nossa Senhora das Dores. As duas Procissões passam individualmente pelas ruas do Centro da cidade e se unem na Praça João Pessoa, no Centro da Capital, em frente ao Tribunal de Justiça. Da Praça, a Procissão do Encontro segue até a igreja de Nossa Senhora do Carmo.

 

Forro restaurado

Quem for nesta quinta-feira acompanhar o início da Procissão do Encerro poderá ver o forro restaurado do altar da igreja do Carmo. Uma celebração ainda será agendada para marcar o fim dos trabalhos de restauração do forro do altar da igreja.

 

Em março de 2007, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) determinou à Arquidiocese da Paraíba que interditasse a igreja de Nossa Senhora do Carmo para que pudessem ser feitos serviços de manutenção no forro de madeira (que fica em baixo do teto) do prédio, que ameaçava cair. O forro estava com os pregos enferrujados, devido à ação do tempo, que podiam se desprender, provocando a queda das tábuas. Já o telhado estava em perfeitas condições e não oferecia riscos. A Arquidiocese, então, contratou profissionais ligados à área de restauração para a execução do serviço.

O trabalho de retirada do forro durou três meses. Em junho a igreja de Nossa Senhora do Carmo foi reaberta. Estava concluída assim a primeira fase da obra. Depois começou a segunda etapa: a higienização e a retirada de quase dez camadas de tinta que escondiam uma pintura. Essa fase, que inclui também a recolocação do forro, está sendo executada por técnicos formandos pela Oficina Escola acompanhados pelo Iphan. Eles trabalham na própria igreja, num amplo espaço na parte superior do prédio.

Confirmação

Existia a informação de que havia desenhos escondidos embaixo das várias camadas de tinta do forro da igreja do Carmo. A última dessas camadas era da cor azul (alguns bispos achavam que o forro das igrejas deveria ser azul para se parecer com o céu, e o forro do Carmo foi pintado dessa cor, segundo os historiadores). Após a retirada do forro, uma das tábuas foi levada ao Recife para um exame de prospecção (espécie de Raio X) e foi confirmado que havia mesmo uma pintura em baixo das camadas de tinta. Restava descobrir qual era.

Na própria igreja, na lateral do primeiro andar, foi montada uma oficina para o trabalho de manutenção da madeira (combate ao cupim, preenchimento de espaços vazios, …) e retirada das camadas de tinta. Esse trabalho já foi concluído no forro do altar e as madeiras já foram colocadas de volta. Antes disso foi feita a manutenção do teto para evitar infiltrações.

O que foi descoberto?

Símbolos marianos, vários anjos com instrumentos de corda e sopro, e retratos de possíveis bispos ou papas estão entre os desenhos descobertos no forro do altar da igreja do Carmo. As tábuas restauradas já foram recolocadas. O trabalho de manutenção e restauração foi financiado pelo Iphan. Coube à igreja a contra-partida de retirada e recolocação do forro.

O técnico em restauração, Diego Freitas, explica que após o trabalho de retirada do forro foi feita a recuperação da madeira. Em seguida a remoção da repintura (das várias camadas de tinta). Depois teve a reconstituição da pintura original. E aí a etapa de refixar o forro. O ex-aluno da Oficina Escola comentou que muitas tábuas estavam empinadas, com cupins… Em algumas delas a pintura original estava bem conservada. “Toda a equipe ia ficando emocionada com o que ia aparecendo”, afirma Diego.

Ainda falta o trabalho de remoção das camadas de tinta da outra parte do forro da igreja, a da nave. Esse passado segue encoberto.

 

Os carmelitas na Paraíba

Os carmelitas chegaram ao Estado provavelmente no ano 1591, junto com os beneditinos, franciscanos e jesuítas, com o objetivo de evangelizar e catequizar os índios. No ano 1600 os carmelitas começaram a construção de uma moradia própria aqui na Paraíba. A conclusão da obra foi bastante demorada, incluindo o Convento do Carmo, a igreja da Ordem Primeira do Carmo, a capela de Santa Tereza e a casa dos exercícios dos Irmãos Terceiros. O conjunto carmelitano só ficou pronto em 1763 quando, de acordo com os registros históricos, Frei Manoel de Santa Tereza encerrou as obras usando recursos próprios.

O Convento teve a construção primitiva bastante simples, no estilo colonial, modificando no início do século XX para o estilo neo-clássico, mantendo-se até os nossos dias. Em 1906, com a extinção das Ordens Primeiras no Brasil, por questões políticas, o primeiro bispo da Paraíba, Dom Adaucto, transformou o Convento do Carmo no prédio que hoje é conhecido como Palácio do Bispo. Em 1965, o Palácio foi transformado na sede da Arquidiocese da Paraíba, funcionando, até hoje, como Cúria Metropolitana.

A igreja da Ordem Primeira, de construção sólida, tem frontispício e interior trabalhado em calcário, no mais puro estilo rococó. Ainda hoje funciona com ofício religioso, abrigando a Ordem Terceira Secular. A capela anexa, dedicada a Santa Tereza D`ávila, possui frontispício no estilo barroco. Já em seu interior, há estilos rococó e neo-clássico executados em madeira. Anexo à capela está a casa dos exercícios, que abriga hoje o Instituto Padre Zé.

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