Processo contra reitor que se matou tem 817 páginas e nenhuma prova - WSCOM

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Política

10/05/2018


Processo contra reitor que se matou tem 817 páginas e nenhuma prova

Cancellier aparece de maneira indireta uma vez em todas as 817 páginas do relatório

Foto: autor desconhecido.

O nome do reitor Luiz Calos Cancellier de Olivo aparece oito vezes nas seis primeiras páginas do relatório fina da Polícia Federal sobre supostos desvios de verba da Universidade Federal de Santa Catarina. Mas em todo o restante do relatório não há uma prova sequer contra o reitor – que se jogou de um shopping de Florianópolis 18 dias depois de ter sido preso pela operação Ouvidos Moucos, em 2 de outubro de 2017.

Cancellier aparece de maneira indireta uma vez em todas as 817 páginas do relatório, quando ali se descreve o episódio dos repasses na conta de seu filho Mikhail, três depósitos feitos pelo professor Gilberto Moritz que totalizaram R$ 7.102 reais, feitos quando Cancellier ainda não era reitor da universidade.

O filho dele foi questionado por policiais federais e disse não lembrar o motivo das transferências. Na época, ele tinha 25 anos e era ajudado financeiramente pelo pai. O delegado Nelson Napp, responsável pelo relatório final da operação, levantou uma suspeita. “Comenta-se que os recursos transferidos para Gilberto Moritz foram oriundos do projeto Especialização Gestão Organizacional e Administração em RH (TJ), coordenado por Luiz Carlos Cancellier, sendo este o ordenador de despesa do referido projeto. Após o recebimento dos recursos, Gilberto Moritz transferiu para Mikhail Vieira de Lorenzi Cancellier (filho do ex-reitor Cancellier) o valor de R$ 7.102,00.”

Essa suspeita bastou para o indiciamento de Mikhail. Moritz também foi incriminado. Ao todo, 23 pessoas foram indiciadas por crimes como lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e peculato. O delegado aponta que Cancellier só não foi incluído nessa lista por causa da sua morte. Cancellier é o único ex-reitor implicado na operação da PF. Ele assumiu o cargo em maio de 2016.

Os fatos narrados aconteceram de 2008 a 2017. Porém os reitores que antecederam Cancellier nesse período, Alvaro Toubes Prata (2008 a 2012) e Roselane Neckel (2012 a 2016), não são alvos.

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Brasil 247

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