Primeiros 100 dias são marcados por calmaria na política e tensão na economia - WSCOM

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Política

10/04/2011


Primeiros 100 dias:calmaria na política

Começo

Foto: autor desconhecido.

Economista e tecnocrata experiente, candidata de uma única eleição, Dilma Rousseff iniciou seu governo com redução bem-sucedida dos conflitos no meio político e elevação das tensões na seara econômica.

A inovação mais evidente de seus primeiros 100 dias no Planalto foi o quase silêncio, em contraste com os discursos inflamados e praticamente diários de seu antecessor e padrinho, Luiz Inácio Lula da Silva.

Após uma campanha presidencial agressiva, abandonou os ataques à oposição, agora anêmica e sob ameaça de adesismo; deixou de lado queixas contra a imprensa e propostas para regular os meios de comunicação.

Na política externa, sua maior marca de mudança, renunciou à ambiguidade do antecessor e defendeu direitos humanos de forma incondicional, ainda que os resultados não sejam tangíveis.

Na política doméstica, Dilma resistiu ao loteamento partidário dos cargos. Obteve uma surpreendente unanimidade dos deputados do PMDB na votação que aprovou o primeiro reajuste do salário mínimo abaixo da inflação em 14 anos.

Resolveu, com críticas de interferência no setor privado, antiga pendência do governo Lula, tirando Roger Agnelli da Vale.

Administrativamente, as diretrizes são menos claras. Não se sabe até agora com precisão quais serão as prioridades do Executivo, e a agenda para o Legislativo ainda não passa de especulações em torno de medidas tributárias e previdenciárias.

Houve mudanças na política econômica, motivo de desconforto entre analistas e investidores. Foi anunciado um corte de gastos públicos, seguido por uma injeção de dinheiro no estatal BNDES; o Banco Central indicou que deixará a inflação ultrapassar a meta do ano para não sacrificar o crescimento da renda. A inflação espreita.

Os resultados, até agora, não entusiasmam. As expectativas para o aumento de preços seguem em alta, inclusive para 2012, enquanto projeções para expansão da economia estão em queda.

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