Presidente da República nega conhecer negociação com PL para doar dinheiro - WSCOM

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Política

12/08/2005


Presidente da República nega conhecer

O Palácio do Planalto divulgou nesta sexta-feira nota oficial em resposta à entrevista de Valdemar Costa Neto à revista “Época” que chegou às bancas de São Paulo pela manhã.

A nota, de apenas um parágrafo, diz: “A propósito de reportagem publicada na edição 378 da revista ‘Época’, cumpre esclarecer que, na campanha de 2002, os então candidatos Luiz Inácio Lula da Silva e José Alencar participaram de conversações políticas com vistas à formação da base partidária de apoio à chapa que terminou por vencer as eleições presidenciais daquele ano. Outros assuntos estiveram a cargo dos dirigentes dos partidos envolvidos na formação da aliança vitoriosa”.

Em pronunciamento pela manhã, o presidente Lula não fez referências à reportagem, mas falou da crise política de maneira geral e disse que “o PT e o governo têm que pedir desculpas” ao povo brasileiro.

A nota divulgada no fim do dia não desmente as acusações de Costa Neto, presidente do Partido Liberal, que afirmou, na entrevista, que o partido apoiou Lula nas eleições de 2002 em troca de R$ 10 milhões, que seriam usados em despesas de campanha do PL. Segundo Costa Neto, Lula não participou da reunião para fechar o acordo milionário, mas estava na sala ao lado e sabia de tudo. O vice-presidente, José Alencar, é do PL.

A revista “Carta Capital” havia publicado as informações em outubro de 2002, em reportagem que reproduzia trechos de diálogos entre integrantes do PT e do PL.

Valdemar Costa Neto, que renunciou ao mandato de deputado federal no último dia primeiro, é acusado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) de ter recebido “mensalão” para apoiar o governo Lula. Foi a primeira entrevista de Costa Neto depois da renúncia.

Segundo a entrevista do ex-deputado, as reuniões para negociar o apoio do PL ao PT ocorriam em Brasília e sempre tinham a presença de Delúbio Soares (ex-tesoureiro petista) e de João Paulo Cunha (deputado federal pelo PT).

O acordo, segundo Costa Neto, demorou a sair porque o PL queria R$ 20 milhões e o PT oferecia menos. Participaram da reunião definitiva, em que os partidos chegaram a um consenso, José Dirceu, Delúbio Soares e o próprio Valdemar — Lula e José Alencar teriam ficado na sala ao lado esperando. A reunião teria acontecido no apartamento do deputado Paulo Rocha (PT-PA).

Valdemar Costa Neto afirmou ainda que o dinheiro demorou a chegar ao PL e só veio no início de 2003. Delúbio Soares teria orientado Costa Neto a ir até a SMPB (agência do empresário Marcos Valério) receber parte do pagamento. O tesoureiro do PL, Jacinto Lamas, foi até a SMPB e trouxe um envelope com cheques que totalizavam R$ 800 mil. Segundo Costa Neto, depois os cheques foram trocados por dinheiro vivo, que vinha dentro de malas. O procedimento se repetiu “duas ou três vezes” e totalizou R$ 3,2 milhões.

O restante do dinheiro, que somava R$ 6,5 milhões, segundo Costa Neto, foi sacado em agências do Banco Rural. “Não chegou aos R$10,8 milhões que estão falando. Estão botando R$ 4 milhões a mais na minha conta”, disse à revista.

O ex-deputado negou novamente que tenha repassado “mensalão” aos deputados do PL. “[O dinheiro] Foi só para pagar as dívidas da campanha de 2002”, disse. Ele disse que Roberto Jefferson procurou o PL para fazer um acordo: Jefferson desmentiria as acusações contra o PL e Costa Neto retiraria o processo de cassação contra Jefferson. Afirmou ainda que Jefferson é conhecido “como um camarada mal-intencionado, perigoso”.

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