Premiê israelense exclui libertação de presos em troca do soldado capturado - WSCOM

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Internacional

26/06/2006


Premiê israelense exclui libertação de

O primeiro-ministro isralense Ehud Olmert excluiu nesta segunda-feira a libertação de presos palestinos em troca do soldado israelense seqüestrado na véspera por grupos armados palestinos.

“A questão da libertação dos prisioneiros não está de forma alguma na ordem do dia do governo israelense”, afirmou Olmert durante um discurso em Jerusalém. “Não haverá negociações, regateios ou acordo”, concluiu.

Grupos armados palestinos exigiram a libertação de palestinos presos em troca de informações sobre o soldado israelense seqüestrado, em um comunicado divulgado nesta segunda-feira, em Gaza.

“As forças de ocupação não obterão informação alguma referente ao soldado desaparecido se não se comprometerem primeiro em libertar imediatamente todas as mulheres detidas nas prisões israelenses e todos os menores de 18 anos”, afirmam as facções.

Este comunicado foi divulgado pelas Brigadas Ezzedin al Qassam (braço armado do Hamas), os Comitês de Resistência Popular e o Exército do Islã, que reivindicaram o seqüestro do soldado israelense.

Exército a postos

O premiê Olmert afirmou nesta segunda-feira que já está preparando o Exército para uma grande ofensiva na Faixa de Gaza após o seqüestro do soldado israelense.

“Ontem (domingo) dei ordem ao comando militar para que prepare nossas forças para uma operação militar de grande envergadura de longo alcance, para atacar as organizações terroristas, seus chefes e todos os que estão envolvidos no terrorismo”, declarou Olmert em ato público em Jerusalém.

O premiê também garantiu que Israel “chegará a todos os envolvidos no seqüestro e na prisão do soldado israelense” Gilad Shalit, de 19 anos, no domingo.”Qualquer um que estiver envolvido no seqüestro e na prisão do soldado Gilad Shalit não estará ao abrigo”, declarou Olmert.

O presidente palestino, Mahmud Abbas, por sua vez, ordenou aos serviços de segurança que iniciem nesta segunda-feira uma vasta operação para encontrar o soldado israelense, informou uma fonte oficial.

Governo do Hamas

O porta-voz do governo palestino, Ghazi Hamad, assegurou hoje à rádio pública israelense que o primeiro-ministro Ismail Haniyeh deseja “solucionar rapidamente, em silêncio e sem problemas”, a libertação do soldado Gilad Shalit.

Vinte e quatro horas depois do seqüestro, é deconhecido o paradeiro do soldado, de 19 anos, que foi ferido no pescoço e no abdomen. Ele foi feito refém e levado a Gaza pelos milicianos, que atacaram no domingo a base militar de Telem, em solo israelense, a poucos metros do território palestino.

“Isto é problema seu”, respondeu Hamad à pergunta sobre como pode Haniyeh, do Hamas, não ter sabido dessa operação de seus milicianos.

O porta-voz do governo palestino informou que “há esforços todo o tempo, e há contatos com todas as facções”.

À pergunta sobre o envolvimento do governo de Haniyeh na ação, Hamad respondeu: “Eu acho que finalmente chegaremos a uma solução”.

“Vamos chegar, vamos chegar, tenho certeza”, reiterou o porta-voz à emissora israelense. Mas isso depende, indicou, de que Israel “mantenha a calma e não lance uma escalada militar”.

O governo, reconheceu o porta-voz, não tem o controle sobre as milícias que operam em Gaza independentemente das forças de segurança da Autoridade Nacional Palestina (ANP), com 25 mil homens.

“Se todos os dias há mortos palestinos (por ataques da Força Aérea israelense) é difícil controlar essas facções. Nós não temos um Exército como Israel. Nós não controlamos tudo, nem meio metro”, disse.

Os milicianos do Hamas, dos Comitês Populares da Resistência e de um desconhecido “Exército Islâmico” explicaram seu ataque da véspera contra a base israelense como “uma represália pela morte de civis palestinos” nos ataques de Israel.

“Mas eu digo claramente, se houver intenção por parte de Israel de cessar-fogo, nós também estaremos dispostos a fazê-lo, e a falar e chegar a um entendimento, para terminar com estes problemas”, acrescentou o porta-voz do governo palestino.

Em relação ao soldado seqüestrado, “escutei de muitas pessoas que sua situação é boa, está bem, acho que essas pessoas que o seqüestraram o estão tratando bem”, indicou Hamad.

“Ontem liguei para todas as facções para que se comportem bem com ele, pois se trata de um prisioneiro, como os palestinos em prisões de Israel, e nós os respeitamos, sejam judeus ou cristãos”, comentou o porta-voz.

“Tenho certeza de que cuidam dele e também que lhe dão o tratamento necessário (devido aos ferimentos)”, disse.

Hamad recusou-se a esclarecer se sabia qual das milícias que participaram da operação da véspera e que mantém o soldado como refém.

“Não quero suscitar um problema por declarações a um meio de comunicação”, disse o funcionário quando o repórter da emissora da rádio pública israelense disse que estava “evitando responsabilidades”.

“Eu lhes digo que o governo se esforça para solucionar este problema. Temos contatos sérios”, disse.

O Hamad manifestou que “até agora não soube das condições” dos seqüestradores.

À pergunta sobre se, como porta-voz do governo palestino, poderia assegurar que o soldado Shalit voltará a Israel e a seu lar, Hamad, respondeu: “Eu espero”.