População brasileira cresce 21 milhões em uma década com menor ritmo da história - WSCOM

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Brasil & Mundo

29/04/2011


Brasil cresce em menor ritmo da história

Em 10 anos

Foto: autor desconhecido.

Na primeira década do século 21, a população brasileira cresceu ao menor ritmo já registrado. De acordo com dados do Censo 2010, divulgados nesta sexta-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2000 e 2010 a média anual de crescimento demográfico foi de 1,17%, menor que os 1,64% da década anterior (1991-2000). Desde o Censo 2000, a população cresceu 12,3%, isto é, 21 milhões a mais de brasileiros – o equivalente ao dobro da população de Portugal. Hoje, a população brasileira é de 190,7 milhões.

Após o fim dos anos 1950, período no qual o crescimento demográfico foi o mais intenso – com taxa anual de 2,99% – da série histórica iniciada em 1872, o Brasil passou a crescer a ritmos cada vez menores. Se com média anual de 2,99% a população nacional levaria 24 anos para duplicar, no ritmo da última década o processo tomaria 60 anos.

Fernando Albuquerque, Gerente de Coordenação de População e Indicadores Sociais do IBGE, destaca o declínio da fecundidade como responsável pela desaceleração do crescimento. Ele lembra que em muitos Estados do Brasil, a fecundidade já está abaixo do nível de reposição, que é de 2,1 filhos para cada mulher. Ainda assim, a população brasileira ainda está longe de ter crescimento negativo.

“Não é porque o Brasil está com uma taxa abaixo do nível de reposição que daqui a cinco anos a população vai começar a diminuir. Ainda vai percorrer um certo tempo crescendo, até começar a diminuir em valores absolutos”, explica o pesquisador.

Norte é região que mais cresce

Apesar da menor média de crescimento populacional já registrada, o índice difere de acordo com cada região do País. Enquanto no Sul a população aumentou 0,87% nos últimos dez anos, no Norte o índice atingiu 2,09%. Entre as seis Unidades da Federação com maior crescimento populacional na última década, cinco delas (Amapá, Roraima, Acre, Amazonas e Pará) pertencem à região.

“A região Norte sofreu certo processo de estagnação em décadas passadas, mas agora a indústria madeireira, a mineração e atividades extrativas ainda atraem a população de migrantes”, avalia Albuquerque, frisando que Norte e Centro-Oeste foram as duas únicas regiões onde as populações rurais aumentaram em 313 mil e 31 mil, respectivamente. Enquanto isso, em âmbito nacional, 2 milhões de pessoas deixaram o campo entre 2000 e 2010.

Em ritmo um pouco mais lento, mas ainda assim superior à média nacional, a região Centro-Oeste é a segunda que cresce mais rápido, com média anual de 1,91%, alavancada pelo agronegócio e pelo inchaço de Brasília (cuja população se expandiu 2,28% ao ano na última década).

Palmas-TO foi a capital que mais cresceu no Brasil, a uma taxa anual de 5,21%, seguida de Boa Vista-RR (3,55%), Macapá-AP (3,46%), Rio Branco-AC (2,82%), Manaus-AM (2,51%) e Porto Velho-RO (2,5%). Porto Alegre-RS foi a capital que menos cresceu (0,35%). O aumento demográfico em São Paulo-SP e no Rio de Janeiro-RJ se deu na mesma proporção (0,76%).

As populações das regiões Sudeste e Nordeste cresceram a um ritmo anual abaixo da média nacional: 1,05% e 1,07%, respectivamente. Fernando Albuquerque diz que, não fosse a ainda relevante migração de nordestinos, o crescimento da região estaria mais distante daquele visto no Sudeste. Em termos absolutos, essas duas regiões são as que têm o maior peso no incremento populacional: 13,3 milhões de novos habitantes na última década, isto é, 63,4% do total do aumento da população nacional no período.

Entre 1991 e 2010, a participação relativa da população com idade igual ou superior aos 65 anos aumentou mais de 54%, subindo de 4,8% para 7,4%. No extremo oposto da pirâmide etária, a proporção dos mais jovens diminuiu. Em 1991, as pessoas com até 14 anos de idade representavam 34,7% da população nacional, ao passo que em 2010 o índice foi de 24,1%.

A Região Norte é a mais jovem do país, pois em 1980 o nível de fecundidade ainda era elevado – a média estava acima dos seis filhos por cada mulher. O Nordeste vive processo semelhante, embora sua estrutura etária seja um pouco mais envelhecida. Em contrapartida, as regiões Sul e Sudeste, onde as taxas de fecundidade começaram a cair a partir da década de 1960, são as que possuem a maior proporção de idosos.

“A cada Censo a expectativa de vida vem aumentando. É um processo que não tem retrocesso, porque a tendência é que a mortalidade decline cada vez mais”, afirma Albuquerque.

 

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