Poluição de carros mata uma pessoa por dia em Belo Horizonte - WSCOM

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Saúde

18/04/2011


Poluição de carros mata um por dia em BH

Poluição

Foto: autor desconhecido.

O trânsito nas grandes cidades não causa mortes apenas em razão dos acidentes – a poluição dos carros também faz vítimas. Um estudo realizado pela USP (Universidade de São Paulo) mostrou que a fumaça dos veículos mata 389 pessoas por ano em Belo Horizonte, o que dá uma média de mais de uma pessoa por dia.

A pesquisa revela ainda que mais de 900 pessoas são internadas anualmente por problemas respiratórios e cardiovasculares. Os dados fazem parte de um levantamento feito pelo Laboratório de Poluição Atmosférica da Faculdade de Medicina da USP, em parceria com a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

A poluição detectada pelo estudo foi calculada com base na concentração média do chamado MP2,5 – qualquer material particulado inalável fino que chega aos pulmões. Na capital mineira, a quantidade média anual de MP2,5 observada foi de 16,5 microgramas por metro cúbico. Na prática, o ar de BH ultrapassa em 65% o limite tolerável de 10 microgramas da OMS (Organização Mundial de Saúde). E as principais vítimas do ar de Belo Horizonte são as pessoas com mais de 40 anos.

De acordo com o professor Geraldo Brasileiro Filho, que coordenou a pesquisa em Belo Horizonte, os veículos, principalmente ônibus e caminhões, “são responsáveis por mais da metade das emissões desses poluentes inaláveis”.

A poluição também foi medida em São Paulo, Rio de Janeiro e Recife. A capital paulista lidera o ranking nacional. O ar da maior cidade brasileira é quase três vezes mais “pesado” que o limite tolerável pela OMS.

Os pesquisadores analisaram a concentração de poluentes veiculares nas quatro capitais durante um ano. A amostragem foi coletada entre 2007 e 2008. Os dados fornecidos fazem parte de um levantamento parcial, afirma um dos responsáveis pelo estudo, Paulo Afonso de André, engenheiro e professor da USP.

– A análise ainda não foi concluída, mas os números não vão mudar. Desta forma, já podemos mensurar a quantidade de mortes que seria evitada com a redução da poluição veicular.

Na época em que o levantamento foi feito, a frota de veículos de Belo Horizonte era de 1,1 milhão. Três anos depois, cresceu 20% e já supera 1,3 milhão. Para o coordenador do estudo em Belo Horizonte, a tendência é de que os resultados para 2011 sejam ainda mais graves.

O vice-presidente da Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego), Guilherme Durães, avalia com ressalvas os resultados do estudo da USP.

– É claro que a poluição é prejudicial, principalmente aos que já estão doentes. No entanto, considero ainda prematuro relacionar as mortes dessas doenças com os poluentes emitidos pelos carros.

Internações custam R$ 21 mil

As principais doenças agravadas pela poluição são infarto, hipertensão, acidente vascular cerebral (AVC, também conhecido por derrame), pneumonia, bronquite, asma e câncer de pulmão. O estudo estima ainda que os poluentes veiculares são responsáveis por 918 internações, por ano, em Belo Horizonte. Os custos hospitalares são de R$ 20,9 milhões, sendo 30% pagos pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

Crianças de até quatro anos e adultos com mais de 60 são os mais afetados pelas internações. O vice-presidente da Sociedade Mineira de Pneumologia, Maurício Meirelles Góes, reforça que a qualidade do ar interfere diretamente no quadro de saúde dos doentes. Com mais de 12 anos de experiência na área, ele aponta que a poluição em BH é alta e todos os seus pacientes que saem da capital têm uma melhora significativa.

– Basta a pessoa ir para uma cidade mais tranquila, onde o tráfego não é tão intenso, que evoluções são percebidas no tratamento.
Apontado como um dos vilões da poluição veicular, os ônibus da capital representam 310 linhas que envolvem o deslocamento diário de 2.854 coletivos. São 25.166 viagens diárias. Para piorar, os veículos utilizam o óleo diesel como combustível básico.

De acordo com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, após um seminário que tratou do assunto em janeiro passado, uma empresa de consultoria foi contratada para avaliar os impactos da poluição e apontar soluções. O prazo para que isso ocorra não foi informado.

Em Minas, o monitoramento da qualidade do ar é realizado por 21 estações, sendo cinco na capital. As amostragens são feitas durante 24 horas, a cada seis dias. Os resultados não foram informados pela Fundação Estadual de Meio Ambiente (Feam).

Na tentativa de diminuir esse tipo de poluição, os veículos de Minas, em um total de 6,6 milhões, serão obrigados a passar por uma inspeção para medir a emissão de gases poluentes. Somente os aprovados receberão o licenciamento anual. A resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) define que o prazo máximo para que as inspeções passem a valer é de 18 meses. Isso significa que a medida tem que estar nas ruas até 25 de maio de 2012.

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