Polícia de Belarus acaba com protesto de cinco dias - WSCOM

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Internacional

24/03/2006


Polícia de Belarus acaba com

A polícia de Belarus acabou com uma manifestação de cinco dias na praça central de Minsk, capital do país, nas primeiras horas desta sexta-feira.

Os manifestantes realizavam a vigília em protesto contra a reeleição do presidente Alexander Lukashenko.

Mais de cem soldados chegaram à praça central da cidade e levaram muitos manifestantes em caminhões.

Pequenos grupos se juntaram na praça desde domingo, quando Lukashenko conseguiu assegurar um terceiro mandato.

A oposição condenou o resultado do pleito, dizendo que houve fraude.

A correspondente da BBC Emma Simpson diz que cerca de 150 pessoas estavam na praça quando os soldados chegaram e esvaziaram o local em menos de 20 minutos.

Um repórter da Associated Press que estava no local disse que alguns manifestantes foram contidos no chão, enquanto fotos mostram policiais usando capacetes segurando pessoas que eram tiradas da praça.

A correspondente da BBC diz que o protesto, apesar de pequeno, foi um acontecimento sem precedentes em Belarus.

Durante os doze anos em que esteve no poder, o presidente Lukashenko mostrou pouca tolerância com dissidentes, afirma Simpson.

Oposição

De acordo com um candidato da oposição que foi ao local, todas as mulheres que estavam lá tiveram permissão para ir embora.

Alexander Milinkevich condenou a ação da polícia.

“As autoridades estão destruindo liberdade, verdade e justiça. Houve democracia por três dias e isso agora mostra a essência do regime que existe em Belarus”, afirmou.

Ele afirmou que uma nova manifestação está sendo planejada para este sábado.

A data marca o aniversário de uma declaração de independência em 1980 que teve vida curta.

“No sábado, nós vamos divulgar os planos de longo prazo da oposição”, afirmou Milinkevich.

A reeleição do presidente Lukashenko provocou reações diversas.

Ele conseguiu 82,6% dos votos, garantindo um terceiro mandato de cinco anos.

O ministro do Exterior da Áustria, Ursula Plassnik, disse que a oposição foi “intimidada” durante a campanha.

Mas os observadores de uma missão enviada pela Comissão de Países Independentes – liderada pela Rússia – disseram que o processo foi aberto e transparente.

Lukashenko disse que o pleito foi justo e democrático e que as reclamações eram “absurdas”.

Ele também avisou que não haverá no país nenhuma revolução semelhante a que provocou a mudança do governo na vizinha Ucrânia.

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